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Gaza não é a chave, Filadélfia é
- Daniel Pipes
Se os israelenses estão 100 por cento corretos em se proteger dos ataques do Hamas, seu governo carrega completa responsabilidade por criar esta crise autoinfligida.

A segunda guerra entre Hamas e Israel, de 10 a 21 de Novembro, inspirou um forte debate entre o certo e o errado, com ambos os lados apelando para o amplo bloco de indecisos (19 por cento dos americanos segundo a CNN/ORC e 38 por cento de acordo com Rasmussen). Será Israel um estado criminoso sem direito à existência, muito menos a utilizar a força? Ou será uma democracia liberal moderna governada pelo estado de direito, portanto, com justificativas para proteger civis inocentes? A moralidade permeia este debate.

Para qualquer pessoa racional, é óbvio que os israelenses estão 100 por cento corretos em se defender de ataques injustificáveis. Uma ilustração da primeira guerra entre Hamas e Israel de 2008 a 2009 mostra simbolicamente um terrorista palestino combatendo, protegido atrás de um carrinho de bebê, um soldado israelense, que por sua vez combate a frente do carrinho de bebê, protegendo-o.

A questão mais dura é como prevenir outra guerra entre Hamas e Israel. Histórico: se os israelenses estão 100 por cento corretos em se proteger, seu governo carrega completa responsabilidade por criar esta crise autoinfligida. Especificamente, realizaram duas retiradas unilaterais e errôneas em 2005:

·       De Gaza: em parte, Ariel Sharon venceu a eleição para primeiro-ministro em janeiro de 2003 por debochar de seu rival que clamava por uma retirada unilateral de todos os residentes e soldados israelenses de Gaza; então, inexplicavelmente, ele adota a mesma política em novembro de 2003 e a coloca em efeito em agosto de 2005. Eu batizei isto naquela época de “um dos piores erros já cometidos por uma democracia”;

·       Do Corredor de Filadélfia: sob pressão dos Estados Unidos, especialmente da Secretária de Estado Condoleezza Rice, Sharon assinou um acordo em setembro de 2005, chamado de “acordos estabelecidos”, que retirou as forças israelenses do Corredor de Filadélfia, uma área com 14 km de comprimento e 100 metros de largura entre a Faixa de Gaza e o Egito. Os desafortunados soldados da EUBAM Rafah (Missão de Assistência a Fronteiras da União Europeia) ficaram em seu lugar.

O problema foi que as autoridades egípcias haviam prometido em seu acordo de paz de 1979 com Israel (III:2) prevenir “ações ou ameaças de beligerância, hostilidade ou violência”, mas de fato permitiram contrabando massivo de armas para Gaza por meio de túneis. De acordo com o que Doron Almog, um antigo chefe do Comando Sul israelense, escreveu em 2004, “o contrabando possui uma dimensão estratégica” porque envolve uma quantidade suficiente de armas e materiais “para transformar Gaza numa plataforma de lançamento de ataques cada vez mais profundos no território de Israel propriamente dito”.

Almog considerava essa política uma “aposta perigosa” do regime de Mubarak e uma “profunda ameaça estratégica” que poderia “colocar em risco o acordo de paz entre Israel e Egito e ameaçar a estabilidade de toda a região”. Ele atribuiu essa atitude do Egito a uma mistura entre visões antissionistas entre o oficialato e uma prontidão em dar vazão aos sentimentos antissionistas da população egípcia.

Sharon arrogantemente assinou o “Acordos Estabelecidos”, contrariando a forte oposição do establishment de segurança israelense. Obviamente, ao remover esta camada de proteção israelense, seguiu-se um previsível “crescimento exponencial” no arsenal em Gaza, culminando com os mísseis Fajr-5 atingindo Tel-Aviv este mês.

Para permitir que soldados israelenses efetivamente previnam a entrada de armamentos em Gaza, David Eshel da Defense Update argumentou em 2009 para que a IDF tomasse de volta o Corredor Filadélfia e aumentasse seu tamanho para “uma linha de segurança completamente esterilizada de 1.000 metros”, mesmo que para isso fosse necessário a realocação de 50.000 residentes em Gaza. Surpreendentemente, Ahmed Qurei, da Autoridade Palestina, endossou privadamente medidas similares em 2008.

Almog vai além: notando um profundo envolvimento de iranianos em Gaza, ele defende a transformação do Corredor de Filadélfia em uma terra de ninguém aumentando sua largura para 10 km. O ideal, ele me escreveu, seria que o Corpo de Engenheiros do Exército americano construísse esse obstáculo para contrabandistas e as forças militares americanas tivessem um papel contínuo de policiar a fronteira. Segunda opção, os israelenses fazem tudo isso sozinhos. (O Acordo de Gaza-Jericó de maio de 1994, ainda em vigor, estabelece uma “Área de Instalação Militar” sob controle total de Israel – o de fato, Corredor Filadélfia – que fornece a Jerusalém a base legal para tomar de volta esta fronteira crucial).

Em contrapartida, Michael Herzog, um alto oficial no Ministério de Defesa de Israel, me diz que é tarde demais para Israel retomar o Corredor Filadélfia e que fazer pressão internacional para que o Egito interrompa o fluxo de armamentos para Gaza é a solução. Da mesma forma, o antigo embaixador Dore Gold apoia “acordos” entre Estados Unidos e Israel para evitar a entrada de novos armamentos.

Estou cético quanto a um papel efetivo dos Estados Unidos, quer seja militar ou diplomático; apenas os israelenses possuem um incentivo para interromper o contrabando de armas. Os governos ocidentais deveriam sinalizar ao Hamas que irão encorajar Jerusalém, caso ocorra um próximo ataque com mísseis, a retomar e aumentar o Corredor Filadélfia, prevenindo assim agressões futuras, tragédias humanitárias e crises políticas.

 

Publicado originalmente na National Review Online. Também disponível no site do autor.

 

Tradução: Roberto Ferraracio

 



 
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COMENTÁRIOS
11/12/2012
(LG)

Concordo integralmente com o autor. Só faltou dizer que essa equiparação que a imprensa, a diplomacia e os organismos internacionais fazem entre Israel e o Hamas é um rematado absurdo e um insulto ao povo israelense. Israel é um estado de direito e uma democracia parlamentar sólida. O Hamas nada mais é que um grupo terrorista facinoroso, liderado por fascistóides que sonham com teocracias islâmicas e com a pulverização dos judeus. Portanto, não tem que haver "acordos" entre Israel e o Hamas; O Hamas tem é que ser derrotado. Também penso que Israel deve reocupar Gaza e o Corredor Filadélfia (este há de ser ampliado). Israel está sozinho, volto a dizer, e será sozinho que haverá de se defender. Ou melhor, sozinho não: os judeus terão sempre Deus a seu lado!

 
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