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> EUA e Geopolítica
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Anatomias de uma loucura eleitoral
- Victor Davis Hanson
O partido republicano é basicamente formado por uma classe média e classe média alta em processo de encolhimento, flanqueados por democratas, que não apreciam seu sucesso e odeiam seus gostos e cultura.

“Gonna be some hard times coming down”

- Kris Kristofferson, Pat Garrett & Billy the Kid

 

Uma forma de extrair sentido do absurdo nesta nova era é simplesmente acreditar no oposto do que você lê. Eu tenho feito isto e tem funcionado frequentemente.

 

Latinos– Por favor votem em nós ...

Observe a recente obsessão com o voto latino. Eu não acredito que não apoiar o Dream Act contribuiu muito para a derrota republicana, como nos foi dito – ou ao menos não mais do que perder o voto asiático pela mesma margem, ou (por uma margem levemente menor) o voto jovem, ou (por uma margem bem maior) o voto dos negros.

Estes grupos, na medida em que existem como grupos definíveis e previsíveis na era da assimilação, integração e casamentos inter-raciais, foram influenciados por Axelrod. Por isto eu quero dizer que após seis meses de uma campanha cruel – apimentada por Sandra Fluke [1] (à beira da morte devido a falta de preservativos) ou Joseph Flower (“todas as pessoas brancas vão para o inferno”) - e após quatro anos de declarações como“gatos gordos banqueiros de Wall Street”, “você não construiu isso”, “a parte justa”, “nação de covardes”, “meu povo” e “nossos inimigos”, estes grupos mais ou menos ressentem a liderança política antiga, supostamente mais branca e masculina. Neste sentido, um homem decente como Mitt Romney resumiu-se à epítome de alguém sem misericórdia, promotor de terceirizações, racista, sonegador e criminoso. (Nossa Deusa Nemesis observou – portanto, estejam avisados Sr. Axelrod e Sr. Obama, ela é uma divindade toda poderosa, que não faz prisioneiros e com uma longa memória).

Desde a eleição, eu tenho conversado com todos os tipos de jovens não brancos; a maioria, após tal bombardeio, expressou um tipo de sentimento alimentado por Obama de “as coisas estão seguindo nossa vontade e este é nosso futuro”. Que tal chauvinismo seja racista e tão ruim quanto o antigo racismo do “branco/tudo bem” não tem alguma importância. Mas até que estes grupos se misturem (seguindo os passos dos italianos que, após a imigração da Itália e da Sicília terminar, fragmentaram-se culturalmente e politicamente devido ao sucesso econômico) podemos esperar tempos estranhos.

Na minha região, eleitores estavam tão enraivecidos por Romney desejar imigração legal para pessoas com habilidades, educação e capital. Veja, isto também soou “racista” ou ao menos ameaçador ao sistema que tem permitido a imigração ilegal de aproximadamente meio milhão a um milhão de pessoas anualmente da América Latina, a grande maioria sem um certificado do ensino médio.

Números é ao que se resume a questão da imigração no final das contas. Quando eu vou ao banco e alguém fala em um dialeto Oaxaca indígena e não consegue ler a informação em um cheque (e em raras ocasiões o endossa com uma marca), eu aparentemente sou visto como racista por pensar que o país pode se beneficiar de um imigrante croata, com uma pós-graduação em engenharia elétrica, com permissão legal de entrada para cada três que não falam inglês (ou às vezes até espanhol) e adentraram no país ilegalmente.

Até a grande barganha, o Dream Act, reforma compreensiva da imigração ou qualquer que seja a rubrica do dia que uma liderança republicana desnorteada utilize: apenas imagine o oposto para aprender a verdade. Se os republicanos concordassem com anistia para, digamos, dois milhões de pessoas trazidas para cá ainda crianças e que estão na escola ou nas forças armadas, você realmente acredita que a “comunidade latina” por sua vez iria celebrar e em seguida concordar em deportar aqueles que não se enquadrassem? Ou você imagina que o acordo iria ao menos resultar na deportação daqueles inteiramente dependentes de auxílio estatal o com ficha criminal? A anistia da era Reagan, Simpson-Mazzoli Act [2],levou a 1) fim a pedidos de anistias, 2) fechamento das fronteiras, 3) uma guinada no apoio dos latinos aos republicanos ou 4)nenhuma das alternativas?

A mensagem conservativa de impostos mais baixos, menos governo e poucas regulações apelam aos latinos en masse, que definem os valores de La Familia como algo que inclui um governo grande e paternalista, seguindo o modelo Espanhol/Europeu? Por aqui eu não vejo diferenças nas incidências de abortos, divórcios, criminalidade, ou ilegitimidade entre brancos e latinos e suspeito que os últimos podem ter números de incidências maiores. Portanto, os valores familiares são definidos de certa forma de maneira diferente da visão refinada dos republicanos de que os latinos são republicanos naturais – se ao menos ... (preencha a lacuna). Repito, eu gostaria que os democratas introduzissem o Dream Act e depois observar se as fronteiras fechadas, o E-Verify e a deportação de criminosos fariam parte do acordo. Isto não quer dizer que não se pode falar em tons mais brandos e ser magnânimo; mas é ingenuidade acreditar que um apoio a qualquer preço ao Dream Act significaria alguma coisa.

A verdade é que o atual sistema de imigração ilegal é um tanto lógico e tem sucesso porque pessoas demais dependem dele, muito além dos empregadores corporativistas. A Califórnia é um estado azul permanentemente. Líderes latinos, muitos dos quais não falam mais espanhol, representam uma vasta subclasse de estrangeiros ilegais cujos números distorcem todas as estatísticas das realizações latinas e se tornam um argumento permanente para o desprezo, mais ajuda governamental, impostos mais altos (quem acaba de votar por impostos mais altos na California?), ações afirmativas e demografia em transformação. Por que simplesmente abrir mão disto tudo e juntar-se ao partido dos tipos que acreditam na miscigenação, caminhar com as próprias pernas, autoconfiança e em diminuir o governo? Ir para Parlier ou a Orange Cove é dirigir por um labirinto de clínicas estaduais e federais e instalações governamentais, muitas nomeadas com os nomes daqueles que garantiram os investimentos governamentais para suas construções. Não, sinto muito: eu não vejo um apoio eleitoral natural hispânico para o que Mitt Romney tentava oferecer. Eu também confesso que anúncios estúpidos como o de Lena Dunham, sexo é igual votar por Obama, ou ainda mais estúpidos como o do lixeiro afro-americano que diz que Romney nunca falou com ele no meio-fio, funcionaram.

 Os ricos

Eu percebo o mesmo tipo de contrainformação quanto aos “abastados” e aos “criadores de empregos”: apenas pense no oposto e a verdade emerge. A maioria no primeiro escalão social votou em Obama (pelo menos oito dos dez dos condados mais ricos votaram). Muitos dos que eu conheço no Vale do Silício, este ano deixaram para lá os adesivos nos para-choques e as placas, mas mesmo assim votaram em Obama. O fato é que o partido democrata, generalizando, é hoje amplamente subsidiado pelas classes mais baixas que não pagam impostos federais e recebem uma ampla e crescente quantidade de benefícios, casados com, no outro extremo, uma elite tecnocrata dos estados azuis, que fazem mais de duzentos mil dólares anualmente. Se os impostos subirem sob Obama, ao menos os impostos destas pessoas também vão subir. Outra verdade: o partido republicano é basicamente formado por uma classe média e classe média alta em processo de encolhimento, flanqueados pelos dois lados por democratas, que por diversos motivos, de um lado, não apreciam seu sucesso ou, pelo outro lado, odeiam seus gostos e cultura arrogantes e não politicamente corretos. No entanto, é estranho que dois extremos da coalizão democrata tenham tão pouco em comum – uma parceria estruturada em um oportunismo cínico de ambos os lados. Tudo o que está faltando são os tribunos romanos, ou talvez os mais abastados demagogi.

O que perdeu a eleição?

Marco Rubio não teria garantido o voto latino este ano. Uma parceria entre Condoleezza Rice e Herman Cain não teria garantido o voto dos negros. Bobby Jindal e Nikki Haley não teriam garantido o voto asiático. Obama, brilhantemente, se vendeu como o grande curandeiro (acima de controvérsias) e o futuro pós-racial, enquanto seus subordinados travaram a mais depravada campanha na História, baseada em confrontos raciais, de classe e de gênero. Muito provavelmente o que fez com que Romney perdesse a corrida – um candidato decente e forte – foi a incapacidade de as classes trabalhadoras de brancos saírem para votar en masse.

Por quê? Eu estava em Michigan, próximo à fronteira com Ohio, durante o mês de setembro, e todas as noites me chocava com as variações nos anúncios da guerra de classe, geralmente brilhantes e eficazes em mostrar Romney como o cara que iria “destruir-Detroit”, um esportista vestido com roupas de mergulho, jet-ski, empresário dono de várias propriedades– um verdadeiro John Kerry, John Edwards ou Ted Kennedy – e “nós” como incapacitados, sem-tetos, famintos, desempregados e vítimas coletivas, como resultado disso. Milhões, que não preferiram Obama, simplesmente ficaram em casa pensando que eles deixariam de votar no cara que tinha dinheiro demais e que os deixou em aviso prévio. Em 2004 eles viram Kerry como o praticante de wind-surf em roupas de mergulho; em 2012 foi a vez de Romney.

Notícias que não eram notícias

Eu também presumo que o que não lemos na proverbial grande mídia é notícia e o que lemos não é. Portanto, não tivemos muitas notícias sobre os recordes nos preços de combustíveis, o apuro das vítimas de Sandy (como das vítimas do Katrina) ainda sem energia, a crescente taxa de desemprego ou o iminente precipício fiscal.

Estes são alguns outros itens classificados como não dignos de noticiar.

Irã e os Drones

Agora descobrimos que antes das eleições o Irã atacou um drone espião americano em águas internacionais. Por que isso não foi divulgado antes das eleições? (Sim – foi uma pergunta retórica). E qual foi o resultado da outra queda de drone, do qual optamos por não destruir/bombardear no local do acidente e consequentemente o avião foi provavelmente enviado para passar por um processo de engenharia reversa pelos chineses ou russos? E quantos exatamente matamos com esses drones? Os alvos são terroristas confirmados como aqueles que se vangloriam de seus crimes como os três que foram torturados– ou meros suspeitos de terrorismo que viram fumaça junto com qualquer um desafortunado o bastante para estar por perto quando o míssil de um drone juiz/jurado/carrasco acerta o alvo? Os libertários civis de esquerda se importam com isso, ou se importam com isso a ponto de notar que a administração prendeu o produtor de vídeos cujo direito à livre expressão supostamente causou as manifestações em Benghazi? Falando nisso...

Benghazi

Nós temos um histórico de segundos termos presidenciais que explodem de um escândalo prolongado do primeiro termo (por exemplo, Watergate) ou devido a hubris( Reagan e o Irã-contra, ou Clinton com Monica) deteriorando em um escândalo ou apenas apagando vagarosamente (Bush com Katrina/insurreição no Iraque). Eu costumava pensar que o crime na Líbia (não reforçar a segurança quando solicitado previamente, não enviar ajuda imediatamente do anexo, não enviar reforços durante as sete horas de ataques, etc.) foi minimizado por uma tentativa de encobrir (de todas as formas proteja a narrativa da administração sobre a Líbia como um sucesso/al-Qaeda como impotente/a Primavera Árabe como maravilhosa/o algoz de bin Laden como um competente e bacana comandante-em-chefe).

Agora não tenho mais certeza. Por que nós tínhamos um consulado numa cidade portuária secundária, quando a maior parte dos países já havia removido suas embaixadas de Trípoli? Por que, na noite de sua morte, nosso embaixador estava reunindo-se com um diplomata turco em Benghazi? Quem segurou nossa equipe no aeroporto – e por quê? Por que havia um anexo, com um grande contingente da CIA, por perto? Por que as pessoas deste anexo aparentemente querem manter um firewall entre eles e o consulado? Quem exatamente eram os terroristas? Quem os pagou e qual era exatamente sua missão? Estávamos destruindo o arsenal de Kadafi, ou o estávamos reunindo para uma revenda anônima? E se sim - para quem?

O reverendo Joseph Lowery

O Pastor Lowery, que fez o juramento de Obama ao cargo (Reverendo Wright aparentemente abriu mão de seus privilégios com Obama) realmente disse logo antes da eleição que “todas as pessoas brancas” iriam “para o inferno” e “eu não sei que tipo de pr*to não votaria a favor de um homem negro”? Isso importa? Este é o tipo de linguajar que Eric Holder vê como ofensivo, ou ao menos tão ofensivo quanto um vídeo antimuçulmano? O Reverendo Wright, Reverendo Pfleger, Reverendo Jackson (que acaba de dizer que o Tea Party deseja “derrubar nosso governo, começar uma secessão, revolta, segregação e escravidão”), Reverendo Lowery – todos levantam a mesma pergunta: Obama conhece algum pastor que consegue falar sem pronunciar algum comentário racista?

O dilema para os próximos quatro anos é se nos tornaremos uma Califórnia ou nos transformaremos em um tipo de Alemanha socialista, onde a ética do trabalho, sobriedade fiscal e a capacidade de inovação se sobressaem a energias contra produtivas e políticas sociais. Em outras palavras, irão as empresas de hidráulica no ramo do petróleo, perfuração, fazendeiros, engenheiros, Vale do Silício, Vale do Napa, o cinturão agrícola americano, a indústria do carvão, Boeing, Apple e a Caterpillar continuar marchando, carregando o resto de nós em nossa acostumada prosperidade, apesar, ao invés de, devido a nós? Irá o espírito americano, como a diligência alemã, superar a redistribuição socialista, ou irá sucumbir?

Quanto à por que a maioria votou desta forma, eu prefiro a sabedoria do Antigo Oligarca, Plato em o Homem Democrático ou Tocqueville, a última virada da grande liderança republicana.

Leia também.

 

Publicado originalmente no PJ Media. Também disponível no site do autor.

Tradução: Roberto Ferraracio



[1] N.T. O autor faz menção a um escândalo entre uma jovem estudante de direito que depôs em uma comissão do Congresso sobre a inclusão da obrigatoriedade de controle de natalidade nos planos de seguro de saúde. A controvérsia inflamou quando o apresentador conservador Rush Limbaugh fez comentários ácidos em seu programa sobre o caráter de Fluke.

[2] N.T Reforma da imigração de 1986.

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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