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> Oriente Médio
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Olhos por olho, dentes por dente
- Moises Rabinovici
No Oriente Médio prevalece a voz dos fortes.
Passagens bíblicas parecem descrever a situação atual: "Porque Gaza será desamparada, e Ashkelon ficará deserta" (Sofonias). "Por isso meterei fogo aos muros de Gaza, fogo que consumirá os seus castelos" (Amós). Egípcios, assírios, persas, romanos, selêucidas, gregos, cananeus e filisteus a destruíram para conquistá-la, e então a reconstruíram, e enfim a perderam. Jônatas a cercou: "De lá seguiu para Gaza, que lhe fechou as portas; mas ele sitiou-a, incendiou e saqueou os arredores"(1 Macabeus 11, 61).
 
Gaza está mais uma vez em ruínas. O cerco agora é, de novo, dos israelenses, que a abandonaram em 2005, em troca de paz, depois que a tomaram na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Paz? Durou menos de um ano. O Hamas (Fervor, em árabe) venceu as eleições livres e democráticas de janeiro de 2006, e marginalizou o Fatah (A Conquista), alquebrado com a morte de seu líder, Yasser Arafat
 
A divisão entre palestinos seguiu a geografia: na Cisjordânia, ficaram os favoráveis às negociações com os israelenses; e em Gaza, os que pregam a libertação total da Palestina e a eliminação de Israel, prescrita em sua Carta Nacional. O projeto de um túnel que os uniria para a formação de um Estado nunca saiu do papel.
 
O presidente dos moderados, Mahmoud Abbas, trabalha hoje para o reconhecimento de um estado palestino pela ONU, com status de não-membro, nessa quinta-feira, 29, exatos 65 anos depois de aprovada a Partilha da Palestina, por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções, em sessão histórica presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha. Os judeus a aceitaram; os árabes a rejeitaram. E Israel nasceu ao fim do Mandato Britânico, em 1948, atacado por todos seus vizinhos.
 
Mas quem liga para Abbas, o presidente da Autoridade Nacional Palestina? Ele foi inteiramente obliterado pelo líder do Hamas, Khaled Meshal. Apoiado e armado pelo Irã, beneficiado pela chegada ao poder no Egito da Irmandade Muçulmana e pelo florescimento da Primavera Árabe no jardim do Islã radical, ele passou 2012 disparando entre 750 e 800 mísseis contra povoados israelenses. Só no  último dia 10, foram 121.
 
Queria um confronto. E o  conseguiu: três dias depois, a paciência de Israel explodiu com fúria só igualável à invasão de Gaza por terra, ar e mar, em 2008-2009. O primeiro alvo foi o comandante militar Ahmed al-Jabari. Um míssil o matou enquanto dirigia seu carro.
 
Alguns jornais brasileiros viram uma miragem no deserto bíblico da Terra Santa. E a publicaram, como se fosse realidade: a chuva de foguetes do Hamas que desabou sobre Israel, como tempestade de verão, seria a represália pelo assassinato de al-Jabari. Mas, e os anteriores, uai? Faz lembrar a síndrome de Lula, para quem o Brasil só começou, de fato, quando ele tomou posse como presidente. E a vítima virou algoz. A legítima defesa de uma população de 3,5 milhões refém de bombardeios a esmo pesou menos do que o poder letal de sua aviação e artilharia já muito conhecido, às vezes dissuasivo.
 
Uma explicação oportuna: no Oriente Médio prevalece a voz dos fortes. O processo de paz entre Egito e Israel prosperou quando iniciado e tocado por dois ex-terroristas, os prêmios Nobel Anuar Sadat e Menachem Beguin.  A "paz dos bravos" prosseguiu com Yitzhak Rabin e Ariel Sharon, generais e heróis de guerra. Gaza o confirma em seu próprio nome, Aza, do hebraico Az – "forte", em homenagem a um de seus cidadãos mais ilustres, o judeu Sansão. Ali ele morreu, traído por Dalila, cegado, mas não partiu sozinho… Por isso, Meshal dá as cartas e as embaralha, enquanto Abbas espera um curinga. 
 
O primeiro-ministro de Israel, Bibi Netanyahu, se entrar no jogo, começa derrubando a mesa. Bill Clinton o conheceu em 1996, e saiu resmungando de uma reunião: "Mas, afinal, quem é a superpotência aqui?".  Ao encontrar o secretário da ONU, Ban Ki-moon, anteontem, ele justificou a desproporção tão criticada entre os cerca de 150 mortos de um lado, e apenas (?) cinco do outro, na manhã do oitavo dia de confrontos: "Terroristas não compartilham a sua preocupação com a morte de civis. Sacrificam suas próprias crianças como escudos humanos". 
 
ALei de Talião (1780 a.C.), prescrevendo reciprocidade na dosimetria do crime e da pena, "olho por olho, dente por dente", foi alterada no Oriente Médio: a retaliação vai num crescendo sem ápice à vista. Quando a trajetória de um foguete iraniano aponta para um centro urbano, o sistema defensivo Iron Dome dispara um precioso míssil, a US$ 50 mil cada, que o explode ainda no ar, na maioria das vezes. Já foram interceptados mais de 350. Bastaria um deles apenas furar o escudo, endereçado a Tel-Aviv ou a Jerusalém, para que a simetria aplacasse a torcida pelo empate de mortos.
 
A Liga Árabe, a Turquia e até o presidente egípcio, Mohamed Morsi, apesar de ser o mediador e anfitrião das negociações para uma trégua, culpam apenas Israel pela nova violência que tirou de foco a guerra civil na Síria. Explodiu ontem um ônibus em Tel-Aviv, Gaza comemorou. Anunciado o cessar-fogo para as 21h, o Hamas disparou uma saraivada de mísseis.  E a aviação israelense voltou a atacar. Nada de novo no front.  
 
 
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COMENTÁRIOS
22/11/2012
(LG)

O quê? O Hamas venceu "eleições livres e democráticas"? Israel atacou com "fúria"? Olha, entre os árabes e entre muçulmanos em geral não existe esse conceito de democracia. Esse é um valor exclusivo do Ocidente, e, no Oriente, de alguns poucos e diferenciados países, como Israel, p. ex. O Hamas tomou o poder de assalto em Gaza, num simulacro de eleição, arrastando uma turba de "eleitores" fanatizados até á medula dos ossos e babando de ódio contra os judeus. Entre muçulmanos não existe opinião pública, mas apenas fieis militantes de uma religião arrogantemente exclusivista. A maior besteira que Israel fez foi entregar Gaza nas mãos desses insanos. E o único jeito de parar de vez os ataques ao sul do país será reocupando militarmente a Faixa de Gaza. Eu sei das implicações que tal medida acarretará, mas há de ser feito, mais cedo mais tarde. Notaram que os EUA, sob Barack Hussein, praticamente abandonaram Israel, e a Secretária de Estado foi buscar acolhida entre muçulmanos? Pois é... Israel está sozinho, portanto será sozinho que haverá de se defender. A fiadora do 'cessar fogo' é a Irmandade Muçulmana? Meu Deus!!!!!

 
22/11/2012
(Conservatore)

O autor do artigo cita trechos da Bíblia. Há outros, no Apocalipse, que dizem que Jerusalém será sitiada. Isso já aconteceu no passado e pelo jeito, acontecerá num futuro próximo. 'Santa coincidência'? Fico me perguntando cá com meus botões: O que leva um povo, uma cultura, uma religião, uma nação, resistir a tantos ataques, no passado e no presente? Há algum outro povo ou nação que sofreu/sofre o mesmo que o povo judeu? Por que as valiosas contribuições de judeus ilustres não são devidamente valorizadas pela grande mídia.Quantos Prêmios Nobel? Alguns ignoram o legado hebreu/judaico, quando por exemplo, "se esquecem" de mencionar a origem judaica de um Einstein? Ou quando mencionam, não sabem atribuir o devido valor ao tipo de educação pelo qual passa um judeu? Cientistas Sociais ignoram os fortes laços culturais que norteiam famílias judaicas, independente do local de nascimento? Para a maioria dos judeus e dos cristãos, a resposta às minhas indagações, têm resposta fácil: Deus. Não podemos ignorar o papel da educação judaica, talvez a maior responsável por tamanho sucesso.Mas, será só ela? Outros povos não possuem boa educação? Seria coincidência os melhores(a maioria) teóricos alemães serem de origem judaica? A maioria dos "especialistas" da grande mídia, são claramente anti-religião, o que significa que Deus é descartado a priori. Tudo bem, cada um tem o direito de crer ou não crer em Deus, ou até não crer em nada além da razão humana, ou em si próprio. É UMA ESCOLHA. Não quero levar o debate para o campo religioso, mas, não pediria a prudência, pelo menos, considerar a possibilidade do Transcendente? Isso, é claro, após uma análise histórica despida do preconceito moderno, qual seja, negar a todo custo qualquer possibilidade da existência de um Criador. Não estou pedindo para ninguém acreditar em Deus, apenas, que se examine a história nos moldes verdadeiramente científicos.Para os que são capazes, é claro. Alguém como um Eric Voegelin, por exemplo.Não precisa ser tão erudito.Infelizmente(ou não), elevada erudição, é alcançado por pouquíssimos seres humanos. Ser honesto intelectualmente já serve. Não proibir questões, também.

 
22/11/2012
(Clóvis)

Israel deveria deixar cair foguetes a torto e a direito em seu território e fazer os esquerdinhas, os da anistia internacional e o pessoal dos direitos humanos como escudos, daí estes veriam o que é bom prá tosse

 
22/11/2012
(Leonardo Diniz)

A assimetria não é apenas de mortes. Há uma enorme assimetria de inteligência. Para infelicidade dos palestinos eles são liderados por gente prisioneira da sua própria insanidade. Vão continuar apanhando até tomarem juízo. Os judeus aprenderam a não ter vergonha de se defender.

 
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Redação: Paulo Zamboni
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