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> EUA e Geopolítica
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A economia dos Estados Unidos feita refém
- Guy Sorman
A verdade é que deixando livres os empresários, a lacuna fiscal desaparece.

Os indicadores econômicos dos Estados Unidos estão mais favoráveis: a confiança dos consumidores está aumentando, o número de empregos criados depois de três anos - principalmente na indústria - é superior que os empregos perdidos. O processo de destruição criadora [*] , característica do crescimento na economia capitalista, foi reiniciado. A longo prazo, a Agência Internacional de Energia anuncia, nessa semana, que em vinte anos os Estados Unidos vão se tornar o maior produtor mundial de petróleo e de gasolina, depois da Rússia e da Arábia Saudita, graças à técnica de quebra das rochas.

Apesar desses indicadores positivos, aqui estão os americanos repentinamente paralisados pela ansiedade gerada pela sua classe política. Essa ansiedade gira em torno de uma metáfora, o abismo tributário: a questão se resume somente a quanto o espírito do partido e as intervenções intempestivas do Estado são suficientes para quebrar o ímpeto dos empreendedores econômicos. Se um teórico neoliberal quiser ilustrar sua teoria em um único exemplo, o abismo fiscal seria suficiente. O impasse foi há dois anos: forçados a encontrar uma síntese do modelo que atualmente é praticado na Europa, Democratas e Republicanos decidiram que em 31 de dezembro desse ano, na falta de um acordo, as taxas máximas de imposto aumentariam automaticamente (resultado das reduções concedidas por Geoge W. Bush em 2003), quando os gastos públicos diminuíssem automaticamente, eles também diminuiriam automaticamente. Se esse mecanismo entrar em ação, o forte aumento dos impostos e da forte queda nos gastos públicos interromperiam todas as previsões econômicas: essa incerteza (afirmam  os especialistas  políticos sem provas) podem causar uma recessão.

Esse machado automático exige de ambas as partes negociação da redução do déficit orçamentário: ainda restam seis semanas para Obama - fortalecido pela reeleição - e para os Republicanos enfraquecidos, mas ainda sendo a maioria no Congresso. Obama propõe uma redução nas despesas militares e sociais em troca de um aumento na taxa de imposto de renda de 34 a 39% sobre um ganho anual de US$ 250,000 por casal. Os Republicanos acreditam que todo aumento nas taxas prejudicaria o crescimento, assim propõem taxas constantes, redução das deduções fiscais que beneficiam certas atividades ecológicas, doações de caridade e juros de hipotecas. O mais interessante nesse confronto, que será disputado minuto a minuto, é o quanto ele é simbólica, sem relação com o conhecimento econômico. Considere as taxas mais elevadas de imposto: Obama quer fazer com que os ricos paguem, mas o benefício orçamentário não é significativo. Os Republicanos afirmam que um aumento das taxas quebraria o crescimento, mas nenhum estudo econômico comprova isso. Na realidade, cada um defende um cliente que se esconde atrás de estudos que não existem: as tabelas de comparações históricas e internacionais disponíveis não permitem estabelecer uma clara relação entre a taxa de imposto e do crescimento. O que está claro, no entanto, é o quanto toda essa instabilidade fiscal escurece o crescimento.

Esse confronto partidário é ainda mais absurdo quando vira as costas para a situação presente: o déficit orçamentário americano baixou de 10% do PIB em 2009 para 7% em 2012, sem modificação da taxa de imposto, mas sim porque  a retomada do crescimento, mesmo moderada, aumentou mecanicamente as receitas fiscais. A redução do desemprego também reduziu a carga sobre os benefícios estaduais pagos aos desempregados. Isso demonstra que não existe um déficit orçamentário ruim em si, nem porcentagens sagradas a partir do instante em que o crescimento o elimina. Esse é o caso americano: a grande diferença da Europa onde o déficit é um obstáculo para o crescimento, por causa da dificuldade de financiamento. Os americanos sem qualquer dificuldade para financiar seu déficit de 7% com taxas de empréstimos praticamente nulas, não deveriam se preocupar: o déficit vai desaparecer por si mesmo porque o crescimento foi retomado. A agitação da mídia e da política em torno da questão fiscal substitui posturas onde procura-se reter a verdade sobre o crescimento e a justiça social. A verdade é que deixando livres os empresários, a lacuna fiscal desaparece: uma lição de humildade que os políticos americanos não querem ouvir.

 

[*] Nota tradutora: sobre o assunto recomenda-se a leitura do artigo Sem medo da destruição criadora

 

Tradução: Maria Júlia Ferraz

 

Disponível no blog do autor

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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