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> EUA e Geopolítica
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A casa da fantasia
- Victor Davis Hanson
Dada a realidade dos EUA, o fato de Romney estar próximo de Obama nas pesquisas eleitorais é um milagre; que ele ainda possa ganhar a eleição está além de um milagre.

Tudo falhou?

Por Casa da Fantasia eu não me refiro – ou melhor, não apenas - à terra do Lá-Lá-Lá de Barack Obama, na qual austríacos falam “Austríaco”, o Havaí fica na Ásia, afegãos falam Árabe, as Maldivas estão pertinho da Argentina, temos sete estados adicionais, soldados são cadáveres zumbis e ciclones no estado do Kansas matam 10.000 a cada vez.

Em vez disso, refiro-me às fantasias que Obama utiliza para lidar com o mundo muito real no qual ele habita. O presidente acabou de dizer à Univision que “não se pode mudar Washington por dentro”. O presidente, em outras palavras, acabou de destruir sua própria fantasia de quatro anos de que ele, assim como Lincoln, iria tomar o tremde Illinois ao Distrito Federal não apenas para refazer a América, mas também para mudar a forma com que as coisas são feitas por lá.

Agora Obama aceita que a segunda vinda de um salvador de Illinois falhou, não porque ele tentou mudar a ética de Washington (ele nunca tentou), mas porque assim que chegou ele quase que imediatamente fez em Washington o que estava acostumado a fazer em Chicago. Portanto, fazer lobby, politicagens internas para auxiliar ajudantes de campanha, negociatas privadas para aprovar o programa de assistência de saúde, a porta giratória [1], e campanhas intermináveis substituíram todo o discurso de esperança e mudança.

Eu suponho que no lugar da retórica de mudança por “dentro”, ele agora antevê mais ordens executivas “de fora” como o de facto Dream Act [2], fazendo com que a Agência de Proteção ao Meio Ambiente fechasse mais usinas de carvão, bloqueando mais permissões federais para produção de energia, concedendo mais nomeações em recesso [3], e estendendo mais privilégios para o poder executivo.

As janelas se estilhaçando

As ilusões do presidente quanto à economia foram, uma a uma, explodindo. Será que ainda nos lembramos do verão da recuperação em 2010? Ou “milhões de novos empregos verdes” que terminaram nas realidades do tipo Solindra? “GM está viva, Osama Bin Laden está morto” – bem, mais ou menos, no sentido de que o governo pode pegar qualquer empresa insolvente, injetar 25 bilhões de dólares e mantê-la viva até a próxima eleição.

De alguma forma temos que nos consolar de que 43 meses com mais de 8% de desemprego é um sucesso. O presidente continua a se vangloriar de que criou 4,6 milhões de novos empregos. Mas quem se importa com o real número criado, se o número de empregos perdidos é maior? Os negócios se vangloriam quando aumentam seu faturamento em $4.6 milhões quando no final das contas sua perda líquida é de $500,000? A fantasia dos empregos também evaporou na realidade de que perdemos mais empregos do que criamos sob Obama, milhões não procuram mais emprego e a porcentagem de adultos trabalhando está tão baixa que é quase um recorde. De onde surgiram 15 milhões de pessoas a mais dependendo dos tickets de alimentação?

Confira a pressão de seus pneus; “tune” os seus carros; companhias de carvão em “falência”; preços de eletricidade estratosféricos, o sonho de Steven Chu do preço do combustível atingir os preços europeus – tudo isso apenas resultou em $4 por galão [4] de combustível. No entanto, ainda não sabemos se essa alta nos preços deveria ser bem vinda, seguindo a lógica verde de ajudar a vender Volts subsidiados e a “cortar nossas pegadas de carbono”.

O déficit? Que déficit e dívida? O presidente insistiu ao David Letterman que ele não sabequal o valor da dívida agregada - apenas que não importando a somatória, é tudo culpa do Bush! Ele viaja pelo interior dizendo que acabar com a guerra no Afeganistão (onde está o suposto “dividendo pela paz” do Iraque que supostamente iria diminuir o déficit?) irá ajudar a pagar o 1 trilhão de dólares que ele pega emprestados todos os anos. No entanto, tomar 39,5% de rendas elevadas e aumentar os impostos sobre ganho com capital não irá reduzir nem ao menos 20% no déficit anual. E após o próximo aumento de imposto, e então? Chegamos a 50%, 55%, 60% - para pagarmos nossa parte justa para outros milhões de empregos verdes?

Passando por tudo isso

Você pode gritar, taxar, regular e repreender um empregador, mas você não pode forçá-lo, pelo menos não por enquanto, a contratar e comprar novos equipamentos. Obama tentou tudo isso e quase sozinho garantiu que a fraca recuperação de 2009 se tornasse uma permanente e ainda mais fraca recuperação. Tudo o que a retórica do 1% - gatos gordos, pagar sua parte justa, donos de jatos corporativos, agora não é a hora de lucrar, espalhe a riqueza, redistribuição, vocês não construíram isto – fez foi assustar o setor privado, repleto de poupanças, e congelá-lo. Existem trilhões de dólares deixados de lado porque os empregadores não sabem o quanto Obamacare irá lhes custar uma vez que o próprio Obama também não sabe, eles não sabem quando a próxima calúnia presidencial contra eles surgirá, eles não sabem qual nova regulamentação irá diminuir a produtividade, não sabem quando a impressão de bilhões de novos dólares irá aquecer a inflação, não sabem qual empresa em particular será fechada ou qual permissão pública de gás e petróleo será retirada.

O tom usado por Obama é também pura fantasia. Disseram-nos que Bush foi “impatriótico”ao aumentar a dívida para 11 trilhões de dólares, mas Obama insiste que ele nunca utilizou o termo difamatório “impatriótico” contra ninguém. E ele não tem ideia alguma de quanto a dívida realmente é depois de ter somado a ela $5 trilhões. “Vocês não construíram isto” supostamente não significou que os empresários deveriam agradecer ao governo por criar seu sucesso, mas também de que deveriam agradecer ao governo por terem sucesso. O que a referência de Obama a um imaginário filho com semelhanças a Trayvon Martin significou? Quem são os “inimigos” que deveriam ser punidos por Obama e os latinos? Quem nós deveríamos irritar, ou contra as facas de quem deveríamos levar armas de fogo? Quem é o “estereótipo” de ação policial “estúpida” – “típicas” pessoas brancas?

O mundo de olho em Obama

Em política externa, as fantasias se mostraram ainda mais assustadoras. Um jovem, no estilo JFK, laureado Nobel da Paz, birracial, hip, despojado e amado presidente – com nada menos do que uma herança muçulmana – deveria encantar o Oriente Médio da forma com que mesmerizou a América com “esperança e mudança”, “sim, nós podemos”, e, o menos grandioso, “não tenha dúvidas disto”.

Obama acreditou que todos os verdadeiros problemas começaram com Bush e terminariam com a saída de Bush – sendo que ele iria se desculpar, faria reverências e contextualizaria ao mundo quanto aos pecados da América pré-Obama, o simples e ordinário país que fez coisas indecentes quando “Eu tinha apenas 3 meses de idade”. Agora quando os mais calmos e secos continentes percebessem que aquele americano estava “do lado deles”, não estava envolvido com os britânicos, os israelenses, os checos, os poloneses e todos os antigos e sérios “aliados”, as novas possibilidades seriam infinitas.

O “Islã Radical” daria espaço para todos os tipos de eufemismos; terroristas seriam meramente processados e julgados em tribunais civis em Nova York. Guantánamo liberaria todos seus presos políticos. Execuções, tribunais e detenções preventivas acabariam. A entrevista na Al-Arabiya, o discurso no Cairo e o notável “tour de justificativas” conquistariam povos oprimidos, se não para nosso lado, para o lado de Obama – sendo que eles nos odeiam não por quem somos (como tirar férias em Martha Vineyard, golf, escolas preparatórias, viagens a jato com dinheiro público e músicas de rap e hip-hop), mas pelo que costumávamos fazer antes de 2009. Aparentemente, socialistas europeus modelos iriam brotar no Oriente Médio – a região algum tipo híbrido de metade Grécia socialista, metade Turquia islamista.

Esta fantasia terminou cruelmente com a horrenda morte de um embaixador americano na Líbia, com detalhes gráficos que a administração não revela, dado que a verdade confirmaria que não estávamos preparados como deveríamos, dentre as políticas direcionadas ao Afeganistão, Iraque, Egito, Síria e Irã que estão implodindo. O que nos resta? O presidente do Egito, da Irmandade Muçulmana, Sr. Morsi, acabou por resumir a situação quando delineou as condições sob as quais seu país estaria disposto a aceitar auxílio e permanecer amigável. O Departamento de Estado está financiando anúncios com teor justificativos na televisão islâmica; e ainda estamos usando todo o poder retórico da Casa Branca para perseguir um simples produtor de filmes, um Ares moderno, que supostamente teve o poder de atear fogo no mundo muçulmano contra Barack Obama.

Nota Final: Não aceite conselhos de seus medos

Há muitas críticas contra Romney que – apesar de todas as fantasias de Obama mencionadas acima - ele ainda está empatado ou um pouco atrás nas pesquisas de opinião – e talvez ainda pior nos estados decisivos. Mas o que é surpreendente não é que Romney não está na frente, mas sim de que ele está mais perto – muito, muito mais perto do que Reagan em 1980, em um momento mais avançado na corrida, quando ele enfrentou um concorrente ainda mais fraco e confrontado por uma mídia muito menos enviesada. Em 26 de outubro de 1980, uma semana antes da votação, Reagan estava exaurido por suas constantes gafes, perseguição da mídia, um presidente que se esquivou de dois debates, confrontos internos em sua equipe de campanha e uma pesquisa de opinião da Gallup que o mostrava 8 pontos atrás – com uma última chance para um único debate.

Não há mais qualquer imprensa livre de verdade, mas em vez do Ministério da Verdade, no qual PBS, NPR, o New York Times, o Washington Post, CBS, ABC, NBC, MSNBC, CNN, Newsweek, Time, AP, McClatchy e Reuters são de facto extensões da campanha de Obama– muito mais refinados e adeptos em disfarçar seu partidarismo do que um declarado Hannity ou Limbaugh [5]. Seus “jornalistas” são alimentados com vazamentos favoráveis da administração quando nos bons e velhos tempos eles precisavam brigar judicialmente para publicar um furo jornalístico. Eles pouco se importam se embaixadores são deixados desprotegidos ou que os EUA sofram o mais custoso ataque a suas unidades aéreas desde o Vietnã, ou de que oficiais da administração apresentem mentiras sobre a Líbia que eles sabem que não podem ser verdade.

Lembrem-se de que os grandiosos das universidades, fundações, das artes, dos sindicatos e funcionários do governo investiram fortemente em Obama – guerreiros de classe que garantem para aqueles da classe superior que ressentimentos raciais e de classe serão voltados contra os outros. Lembrem-se do poder do cargo presidencial. Lembrem-se de que milhões ainda estão mesmerizados pela eloquência do teleprompter. Lembrem-se de que a cada mês milhares mais dependem dos tickets de alimentação, recebem seguro por invalidez, conseguem extensões para o seguro desemprego e são isentos do imposto de renda – estes são leais àqueles que os promovem e hostis àqueles que podem não o fazer. Lembrem-se de que, ainda, criticar Obama quase que imediatamente recebe a acusação de “racista”.

Não é fácil sobrepujar tudo isso.

Esta é uma eleição de fantasias sorridentes contra um duro “acorda” para prevenir catástrofes financeiras e externas que se aproximam nos próximos anos. Fantasias, não a realidade, são para o que metade da população vive. O fato de Romney estar próximo é um milagre; que ele ainda possa ganhar está além de um milagre.

 

Publicado originalmente no dia 29 de Setembro de 2012 no PJ Media. Também disponível no site do autor.

Tradução: Roberto Ferraracio

 



[1] N.T. O autor faz menção à falta de transparência da administração Obama quanto aos exatos períodos em que funcionários de sua equipe ficam jurados de não prestar serviços de consultoria. A questão ficou conhecida como “Revolving Door policy”

[2] N.T. O Dream Act (acrônimo para Development, Relief, and Education for Aliens Minors – Desenvolvimento, Auxílio e Educação para Imigrantes menores) é um projeto de lei que poderia prover residência permanente condicional para imigrantes que se enquadrassem a algumas condições e exigências.

[3] N.T. As denominadas nomeações em recesso acontecem quando o presidente faz nomeações para cargos (nos quais a aprovação do congresso é exigida) durante um recesso do congresso. A prática é prevista na Constituição americana mas, costumeiramente, gera tensões entre os poderes.

[4] N.T. Um galão representa aproximadamente 3,78 litros.

[5] N.T. Ambos são comentaristas políticos conservadores.

 



 
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COMENTÁRIOS
01/11/2012
(Carlos)

Mais hipócrita do que Romney? Que tal o atual ocupante da Casa Branca?

 
01/11/2012
(Paulo)

O autor explicando como o pode estatal está saindo de controle nos EUA, e as dificuldades de se opor a tal situação, e leitor preocupado com caras e bocas. Talvez seja daqueles que votou no Haddad porque ele é "jovem e bonito", enquanto o Serra é "velho e careca"...

 
01/11/2012
(Pessimista)

Se você nem ao menos entendeu o artigo é porque simplesmente não acompanha política americana. Não importa se a favor ou contra Obama ou Romney. Simplesmente não acompanha ... O portal M@M tem bastante conteúdo sobre o assunto. Que tal começar pelo primeiro e ir progredindo no conteúdo, aprendendo, observando e analisando, como todas as pessoas normais fazem? Assim poderá ao menos criticar Romney com argumentos... Cheers!

 
31/10/2012
(ka)

Logo vi que não ía entender o artigo. Mas deixo aqui minha impressão: alguém conhece uma feição mais hipócrita do que a carinha desse tal de Romney?

 
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Redação: Paulo Zamboni
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