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Eleição pode espelhar a corrida de 1980
- Victor Davis Hanson
Assim como em 1980, os eleitores americanos buscam um presidente melhor – mas eles precisam primeiro se assegurar de que este está presente na eleição.

Em 1980, houve apenas um debate presidencial entre o desafiante Ronald Reagan e o Presidente Jimmy Carter. Dois dias antes do debate de 28 de outubro, Carter estava oito pontos à frente na pesquisa de opinião Gallup. Uma semana após o debate, ele perdeu para Reagan por aproximadamente dez pontos percentuais.

Com sua tirada durante o debate, “Lá vem você de novo”, Reagan lembrou os eleitores da irritabilidade crônica de Carter. Ainda mais devastadora foi a pergunta final e direta de Reagan para os eleitores americanos: “Vocês estão melhores agora do que estavam há quatro anos atrás?”. Ninguém, aparentemente, conseguiu reunir um “Sim!”.

No entanto, houve muito mais na campanha de 1980 do que a retórica final neste debate que virou o jogo – e alguns destes detalhes são relevantes para 2012.

Carter aceitou que não poderia depender de seu histórico econômico – não com o alto “índice de miséria” resultante de alta inflação, juros altos, altos preços de combustíveis e altas taxas de desemprego. A prolongada crise com reféns no Irã finalmente passou a evidenciar, ao invés de mascarar, a liderança doméstica anêmica de Carter. Sem um histórico a defender, Carter começou então a golpear Reagan como se este fosse muito mal informado e muito perigoso para ser presidente.

Este modelo de campanha de negação não apenas funcionou, mas aparentemente aborreceu profundamente Reagan. Ele frequentemente saía do tópico, ao mesmo tempo em que cometia gafes em série: alegou que a Califórnia havia eliminado a poluição do ar; alegou que as árvores poluíam tanto quanto os carros; alegou que o Alasca possuía mais petróleo do que a Arábia Saudita; alegou que novas evidências lançavam dúvidas sobre a teoria da evolução de Darwin. Reagan foi, desajeitadamente, atraído a um lamaçal de controvérsias que o distraíram, desde a questão de Taiwan à Guerra do Vietnã, à Ku Klux Klan e ao programa do bombardeiro “stealth”. 

Reagan constantemente se atrapalhou com fatos e números, enquanto Carter, procurando defeitos, bombardeou-o por prometer implausivelmente ao mesmo tempo reduzir os impostos, balancear o orçamento e aumentar amplamente o gasto com defesa. Ao longo do final do verão Reagan não conseguiu manusear a insatisfação dos eleitores com a desastrosa política econômica e externa de Carter e com sua desconcertante atuação santimonial.

Ainda mais negativo para Reagan, o congressista republicano John Anderson anunciou sua candidatura por um terceiro partido. Anderson e um quarto candidato, o libertário Ed Clark, combinados, absorveram eventualmente mais de 6,5 milhões de votos, que provavelmente em sua grande maioria teriam se destinado a Reagan.

Reagan, desesperado, também estava enfrentando dificuldades em fazer com que Carter saísse do Rose Garden [*] para debater. Finalmente, no final de outubro, Reagan capitulou às condições de Carter e o encontrou, uma única vez, cara a cara, sem a presença de Anderson.

Em outras palavras, até a última semana de campanha, Reagan teve de lutar em terreno adverso. Eventualmente, é verdade, ele venceu esmagadoramente no colégio eleitoral (489 a 49) e derrotou Carter confortavelmente no voto popular. No entanto, Reagan apenas recebeu uma maioria de 51 por cento.

O que salvou Reagan de uma verdadeira tempestade de fatores negativos – gafes, candidatos conservadores na corrida eleitoral, um único debate e uma mídia enviesada – não foi apenas o debate. A relação da afluência de eleitores à urna foi relativamente baixa, em 53 por cento. Se a base partidária conservadora de Reagan estava unida e energizada, a de Carter mostrou-se dividida e indiferente.

Reagan também venceu em por volta de uma dúzia de estados (em sua maioria sulistas) por menos de quatro por cento. Caso apenas algumas centenas de milhares de eleitores tivessem escolhido o outro lado nestes estados, a corrida poderia ter sido mais acirrada do que indicado pelas contagens eleitorais e populares.

O que 1980 nos diz sobre 2012? Assim como Carter, Barack Obama não pode basear sua campanha em seu lúgubre gerenciamento por quatro anos da economia nem em sua cataclísmica política externa no Oriente Médio.

Em vez disto, Obama, assim como Carter, deve procurar estampar seu oponente como inexperiente demais, desligado e despreocupado demais para ser o próximo presidente. Enquanto Carter era um orador maçante, Obama, em contraste, possui uma eloquência com o teleprompter, mas não há evidências de que Obama seja melhor em debates do que era Carter.

A quantidade de eleitores efetivos vai importar. O desafiador Mitt Romney, assim como Reagan, é tido como possuidor da base mais agitada, mas a demografia eleitoral é muito diferente do que era há 30 anos e pode favorecer Obama. Não há terceiros candidatos para desviar o resultado, mas as pesquisas de opinião se mostram voláteis, quando Obama, assim como Carter, normalmente adianta-se por um tempo, apenas para retroceder a uma igualdade num estilo tartaruga e lebre.

Ao menos que ocorra uma guerra no exterior ou uma crise financeira doméstica – assim como o trauma financeiro ajudou Obama, que até então se esforçava para continuar, a ultrapassar John McCain no meio de setembro de 2008 – a corrida entre um liberal desavergonhado e um conservador confesso vai continuar até a última semana.

Provavelmente o vencedor não será decidido por videoclipes antigos, gafes ou financiamento de campanha, mas pela quantidade de eleitores que comparecerão no dia da eleição e pelos debates de outubro – dependendo se o encarregado Obama se mostrar como o petulante Carter e se o desafiante Romney como o otimista Reagan. Assim como em 1980, os eleitores buscam um presidente melhor – mas eles precisam primeiro se assegurar de que este está presente na eleição.

 

Disponível no site do autor.

Tradução: Roberto Ferraracio

 

[*] N.T. O Rose Garden é um jardim existente na Casa Branca, utilizado de diversas maneiras por presidentes para receber dignatários ou realizar conferências de imprensa e cerimônias especiais. O termo “Rose Garden”, neste caso, é usado para descrever a estratégia de campanha em que presidentes candidatos à reeleição não costumam sair das dependências da Casa Branca para fazer campanha ao longo do país.

 
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Redação: Paulo Zamboni
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