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Quanto vale a nossa saúde?
- Joao Luiz Mauad
Será que é função do governo decidir qual tipo de lâmpada o consumidor deve comprar, obrigando-o a adquirir um produto potencialmente perigoso?

Infelizmente, para o governo e os ambientalistas, nossa saúde vale muito pouco. Depois de nos obrigar a usar aquelas famigeradas tomadas de três pinos, uma jabuticaba genuinamente nacional – cujos benefícios se resumem aos lucros fáceis dos fabricantes que nos empurraram a tranqueira goela abaixo, a preços escorchantes, sem que pudéssemos sequer chiar – o governo prepara agora uma nova empreitada contra o consumidor: falo da retirada do mercado das lâmpadas incandescentes, que iluminam as nossas vidas desde Thomas Edison.
 
Entrou em vigor em julho  uma portaria do Ministério de Minas e Energia (MME) que pretende tirar, até 2017, todas as lâmpadas incandescentes do mercado nacional, ainda que, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Iluminação, quase 40% dos consumidores no Brasil ainda as prefiram. Mas o que importam o gosto e a preferência do consumidor, quando estão em jogo valores muito mais altos, não é mesmo?
 
O governo defende que a decisão fará com que os consumidores substituam as incandescentes por lâmpadas mais eficientes, como as fluorescentes. Segundo o MME, uma lâmpada incandescente de 60 W, ligada quatro horas por dia, pode resultar em consumo de 7,2 kWh no fim do mês. Com a fluorescente, a economia seria de 75%. Ambientalistas aprovam a ideia de maneira efusiva, entendendo que tal medida ajudará a reduzir o aquecimento global. Claro que governo e ambientalistas só estão pensando no nosso bem estar...
 
Será?  Pode até ser mas, nesse caso, seria prudente que considerassem alguns pontos importantes, antes de levar adiante o projeto. Por exemplo: as lâmpadas fluorescentes possuem em sua composição um elemento químico nocivo à saúde humana e altamente poluente: mercúrio. Por conta desse elemento, a lâmpada fluorescente é considerada, pelo próprio governo, um resíduo sólido perigoso, de acordo com a Lei nº 12.305/2010.
 
Se o mercúrio é esse enorme risco para a saúde e o meio ambiente, então por que estão querendo nos obrigar a comprar tais coisas? Será que a saúde dos ursos polares e das tartarugas marinhas é mais importante do que a dos seres humanos?
 
Alguns podem achar que exagero e que, afinal, as lâmpadas de mercúrio não são tão perigosas e nocivas assim. Pode ser. Como não sou químico nem físico, sou obrigado a confiar na palavra dos técnicos dessas áreas.
 
Nesse caso específico, vou apelar para uma agência governamental estrangeira, a EPA – Environmental Protection Agency. Em seu site oficial, a agência norte-americana indica uma série de providências e cuidados para a limpeza de locais onde existam resíduos de mercúrio provenientes da quebra de uma dessas lâmpadas. Aí vai um resumo:
 
"Antes da limpeza, retire todas as pessoas e animais do local; abra a janela e ventile o local por 10 minutos; desligue o aquecimento ou ar condicionado, caso você tenha um; tenha a mão os seguintes materiais para a limpeza: uma folha de cartolina ou papelão; fita adesiva; papel toalha descartável ou lenços umedecidos (para superfícies duras) e um frasco de vidro com tampa de metal ou um saco plástico resistente selado.
 
Durante a limpeza, use luvas de borracha ou látex; não utilize aparelhos a vácuo, a menos que farelos de vidro permaneçam no local depois que todos os outros procedimentos tenham sido feitos, uma vez que o uso desses aparelhos pode espalhar resíduos sólidos ou vapor de mercúrio no ambiente; faça uma coleta completa de todos os resíduos sólidos visíveis, inclusive o pó de vidro; coloque todo o material recolhido em recipientes selados.
 
Após a limpeza, imediatamente coloque todos os restos da lâmpada e materiais de limpeza, incluindo sacos de aspirador, ao ar livre, em um recipiente de lixo ou área protegida até que os materiais possam ser devidamente eliminados. Evite deixar quaisquer fragmentos do bulbo ou materiais utilizados na limpeza dentro de casa; em seguida, verifique com o governo local sobre os requisitos de eliminação em sua área, pois algumas localidades exigem que lâmpadas fluorescentes (quebradas ou inteiras) sejam enviadas para um centro de reciclagem; caso possível, continue a ventilar o ambiente onde a lâmpada foi quebrada e deixe o aquecedor/ar condicionado desligado por algumas horas."

 
Agora, eu pergunto: faz sentido que o governo nos obrigue a consumir um produto tão perigoso?  Faz sentido que o governo nos obrigue a colocar dentro de nossas casas grandes quantidades de mercúrio, onde inevitavelmente acidentes ocorrerão, inclusive na presença de crianças e bebês?  Qual é o sentido de o governo retirar dos consumidores qualquer outra alternativa, que não a de expor os nossos familiares a todo esse risco?

Bem, os defensores da medida certamente insistirão que as lâmpadas fluorescentes consomem 75% menos energia do que as tradicionais incandescentes. OK, mas será que é razoável trocar a segurança pela economia? Novamente, será que essa paranoia de aquecimento global está acima da saúde das nossas crianças?
 
É bom  esclarecer que não sou de modo algum contra a comercialização de lâmpadas fluorescentes. Só acho que o consumidor deve ter o direito de escolher o produto que melhor se adequa às suas necessidades, tanto em termos de economia quanto de segurança e proteção ao meio ambiente.
 
Definitivamente, não é função do governo ditar a lâmpada que eu devo consumir.

 

Publicado pelo Diário do Comércio em 23/08/2012

 



 
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COMENTÁRIOS
28/08/2012
(Ron)

Que que isso! Dessa probição/obrigatoriedade de lâmpadas eu não sabia, obrigado pela informação. Depois de toda a palhaçada em torno das sacolinhas plásticas, "semi-proibidas" em Belo Horizonte, São Paulo e outras localidades, vem mais essa. Impressionante a sanha controladora de burocratas e adoradores do deus Estado onipresente, em parceria com ambientalóides igualmente salafrários e autoritários.
 
28/08/2012
(Frank)

Governo existe para apitar o jogo. Quando o Estado dirigista entra em campo para jogar, a derrota da sociedade é por goleada. É um perna-de-pau, e cara-de-pau, em achar que é o tal.
 
28/08/2012
(Paulo)

De fato, se não temos liberdade para escolher sequer a iluminação que usaremos em nossa residência, podemos imaginar em relação ao restante.. A propósito, caro LG, dizem por ai, não sei se é verdade, que o ar que respiramos não é pago... absurdo isso não? hehehe
 
28/08/2012
(LG)

Paulo, Paulo... Não dê idéias, meu amigo, não dê idéias... Alimentar os trolls da burocracia é um grande perigo!!
 
28/08/2012
(Agapito Costa)

Gostaria de esclarecer aos senhores editores e leitores deste importante site que o primeiro grande passo foi dado sutilmente, que foi a Campanha do Desarmamento. Só teremos boas leis se tivermos boas armas. Este governo que aí está é a grande ameaça à paz. Brasil, Argentina, e Venezuela estão formando o eixo. Infelizmente somos sabedores como começa, mas não sabemos como terminará. Se nada for feito teremos que usar cuecas cor- de- rosa. E lâmpadas florescentes da mesma cor, caso contrário seremos incriminados como homobóbicos ou racistas.
 
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Redação: Paulo Zamboni
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