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Relações Internacionais: quando políticos falam de Papai Noel e os jornalistas acreditam
- Redacao Midia@Mais
Acreditar que “convênios”, “congressos” e “simpósios” possam demover tiranos da sede absoluta de um poder que já lhes pertence é muita ingenuidade - ou má fé.

Hugo Chávez acaba de ser aceito no Mercosul, apesar da “cláusula democrática”. Há acordos e conveniências por trás do ocorrido, mas seria obrigação dos jornalistas deixarem de ser tão ingênuos (ou fingir que são na frente de seus leitores).

Matias Spektor é colunista especializado em Relações Internacionais e assim apresentado pela Folha de S.Paulo:

Matias Spektor ensina relações internacionais na FGV. É autor de "Kissinger e o Brasil e de Azeredo da Silveira: um depoimento". Trabalhou para as Nações Unidas antes de completar seu doutorado na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Foi pesquisador visitante no Council on Foreign Relations (Estados Unidos) e assina uma coluna no "International Herald Tribune". Escreve às quartas, a cada duas semanas, na versão impressa de "Mundo".

Há uma “corrente de pensamento” usada pelos líderes esquerdistas parceiros de Hugo Chávez no Mercosul de que, mesmo desconsiderando a oportunidade comercial surgida com a entrada da Venezuela, pode ser uma boa situação levar o país vizinho de volta à normalidade democrática através da participação no bloco. Exercer sobre Chávez, dessa maneira, uma pressão informal para que as liberdades voltem a ser garantidas por lá. Que a democracia seja preservada, ou restaurada. Enfim.

Spektor é desses que, ou compraram a desculpa, ou querem fazer crer diante dos leitores que ela é legítima. Veja o que ele escreve a respeito (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/matiasspektor/1133470-direitos-do-brasil.shtml):

O problema ganha relevo agora. A Venezuela, um de nossos principais parceiros regionais, padece de graves problemas de direitos humanos. O argumento tradicional --não fazer nada-- faz algum sentido. Criticar o governo de Hugo Chávez frontalmente apenas criaria atrito, ressentimento e desconfiança, sem garantia de resultados. Neste caso, contudo, não fazer nada seria nefasto. O Brasil estaria contribuindo, na prática, para piorar a situação: afinal, Chávez utiliza a entrada de seu país no Mercosul como grande triunfo em seus embates internos. O negócio é moldar a conduta brasileira com vistas a facilitar a realização de nossos interesses. Na prática, isso significa contribuir para um ambiente político estável no longo prazo. Chávez não vai durar para sempre. O Brasil pode ajudar a Venezuela a construir instituições decentes e representativas --temos experiência de sobra na transformação de uma sociedade com veio autoritário em democracia participativa. O judiciário brasileiro poderia estreitar laços com suas instituições-irmãs na Venezuela. Hoje em dia se faz quase nada nessa área. O governo também poderia facilitar contato entre as duas sociedades civis. A OAB, por exemplo, tem inúmeras contribuições a fazer do lado de lá.

É a visão de uma criança de 10 anos de idade, e comporta também a crença no Coelhinho da Páscoa. Em primeiro lugar, ainda que Chávez não “dure para sempre”, o grau de comprometimento ao qual ele já submeteu todas as instituições venezuelanas levará décadas para ser revertido (se e quando isso for possível). Em segundo lugar, o Brasil está longe de ser “exemplo” em democracia representativa (a lentidão da justiça, a corrupção desenfreada e o espetáculo eleitoral patético a que somos submetidos a cada dois anos não deixam dúvida disso). Em terceiro – e talvez o mais importante – a eventual “pressão” que poderia ser exercida pelo governo brasileiro (e pelos outros a reboque) contra os desmandos de Chávez e sua patota não devem acontecer simplesmente pelo fato de que as lideranças esquerdistas que mandam no bloco não acreditam (ou ao menos não admitem) que exista na Venezuela um comprometimento da democracia e das instituições ou violações sistemáticas aos direitos humanos.

O que diferencia democracias de ditaduras não são os meios usados para se chegar ao poder, mas sim o que aqueles que detêm o poder fazem com ele quando estão no comando. A Venezuela não é mais uma democracia há muito tempo – embora falte coragem à maior parte da imprensa para chamá-la pelo nome (uma “ditadura”, afinal). Acreditar que “convênios”, “congressos” e “simpósios” entre associações de classe possam demover tiranos e seus asseclas da sede absoluta de um poder que já lhes pertence é abusar da ingenuidade (da própria e a dos leitores). Ou será que ingênuos somos nós, quando imaginamos ser verdade que especialistas em relações internacionais de grandes jornais acreditam em tais bobagens, e não estão participando do imenso jogo de cena comandado pelo Mercosul e pelas lideranças esquerdistas latino-americanas?

 



 
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COMENTÁRIOS
19/08/2012
(Hugo Siqueira)

Mais uma vez se juntam Brasil, Argentina e Uruguai para excluir " ainda que temporariamente " o único voto contrário do Paraguai à entrada da Venezuela na UNASUL. Com a mesma pressa que o presidente "inseminarista" foi defenestrado, a Venezuela mais que depressa se aproveitou para a entrada no bloco com o beneplácito do governo brasileiro. Quando voltar depois das eleições é o Paraguai que perde ou o novo sócio que ganha o direito de veto? A unanimidade é a melhor cláusula da MERCOSUL: impede devaneios ideológicos. Já imaginou se resolvem se inspirar modelo da UE com a criação da moeda comum? Para haver cooperação é preciso que os países integrantes sejam complementares com objetivos distintos: não se entende como países similares possam trocar entre si as mesmas mercadorias. Isto realmente não vai acontecer simplesmente porque são países similares que têm os mesmos propósitos de competir entre si e com outros blocos semelhantes. Veja o caso da Argentina bloqueando burocraticamente a entrada de produtos brasileiros enquanto os carros Argentinos são isentos de IPI no Brasil ? inclusive os do México que nem pertence ao bloco. Ainda bem que é um bloco com propósitos culturais e políticos. Nisso o Brasil tem muito que aprender com argentina, um país culturalmente mais avançado e que com maior produtividade em grãos. A animosidade entre Brasil e Argentina é apenas folclórica: restringe-se ao futebol. O Brasil tem longa tradição de negociações diplomáticas com os países vizinhos que cabe preservar. É o único diferente que faz fronteiras com todos a exceção do Chile e Equador.
 
19/08/2012
(Hugo Siqueira)

A propósito da notícia: Presidente Franco reitera... faço o comentário: O governo contribuiu para o isolamento do Paraguai " ainda que temporariamente até eleições " em beneficio de um parceiro maior como a Venezuela. Ainda no governo anterior o Brasil já havia concordado com a triplicação da cota paraguaia vendida ao Brasil e com o financiamento de construção de linha de transmissão até Assunção. Agora o novo presidente do Paraguai anuncia que pode utilizar parte da de sua cota para o a industrialização do Paraguai. Nada mais justo, tendo em vista os altos preços da tarifa cobrada no Brasil das empresas siderúrgicas e de eletrointensivos que são obrigadas a recorrer ao mercado livre. Com isso o Paraguai pode oferecer energia de Itaipu mais barata às indústrias eletrointensivas que não encontram condições no Brasil. Nada impede que venham a vender também no mercado livre brasileiro, uma vez que os sistemas estarão interligados. Como ficam as concessões de usinas para o mercado livre daqui para frente? Não há nada demais nem de errado em ter negócios com ditadores. A cooperação se dá espontaneamente a despeito de crenças, ideologias e religiões. Importa mais é que sejam complementares. Exemplo: a cooperação dos países industrializados com países asiáticos, especialmente os Estados Unidos com chineses, foi bastante proveitosa para ambos apesar do regime político e econômico ser completamente distinto. O Brasil pode cooperar com a Venezuela sem necessariamente tenha que adotar os mesmos métodos do presidente Hugo Chaves. No caso são economias bastante complementares. Pode cooperar com Paraguai ? como já vem fazendo há muito tempo - enviando para lá aquelas empresas eletrointensivas que estão perdendo competitividade pelo excesso de tributação nas tarifas de energia elétrica. É bom lembrar a presença de brasileiros e filhos de brasileiros, naturalmente paraguaios.Cooperação entre países independe de preconceitos ideológicos.
 
16/08/2012
(Fernando)

Seguindo a lógica do artigo, o Brasil também tem que cortar as relações comerciais com a ditadura da China e também com os EUA, que sustenta a ditadura da Arábia Saudita em troca de petróleo barato. *** "Lógica"? Você sabe o que é isso? Achamos que não, já que lê o que não está escrito, e inventa problemas que não fazem parte do assunto tratado no artigo, só para tentar justificar o injustificável, no caso, um ditadura esquerdista. Mas fique tranquilo, as cotas estão chegando, e cabeças como a sua terão oportunidades ilimitadas para dar vazão a confusões mentais e argumentos de almanaque. Redação MÍDIA@MAIS
 
12/08/2012
(F.Carlos)

Esse idiota útil, deve acreditar piamente no "Grande Apedeuta", quando afirmou que na Venezuela exite muita democracia!
 
12/08/2012
(Agapito Costa)

A foto deste idiota e seus gestos nos levam a navegar na imaginação. Seria o Hugo Chaves, o segundo dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, simbolicamente descrito em Apocalipse 6:4?? Ao cavalo vermelho e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da Terra para que os homens se matassem uns aos outros. Será esta a contribuição que trará para todos nós? O círculo está se fechando gradativamente, não precisa ter uma visão aprofundada para tirar esta conclusão.
 
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