Bom dia ! Hoje é Terça Feira, 28 de Março de 2017.
 
Fique por dentro de nosso conteúdo em sua caixa de e-mail:
 




 
> Economia
Compartilhar
O século da Ásia está ficando para trás
- Guy Sorman
Ao contrário do Ocidente, a Ásia, sobretudo a China, é um espaço de terceirização, com pouca capacidade criativa genuína.

A economia americana tem dificuldade para decolar, a Europa desacelera no norte e regride no sul: só resta, portanto, como motor possível de retomada, a Ásia. Mas falta fôlego à China, assim como à Coreia do Sul e Taiwan. O Japão acabará por ressurgir, mas certamente não antes de dois ou três anos.

As economias asiáticas não tomaram conta do Ocidente, ao contrário de algumas profecias midiática da moda. O “descolamento” tantas vezes anunciado entre a Ásia e o Ocidente não ocorreu: o Ocidente puxa o Oriente e não o contrário. Não se sabe ao certo quem inventou o termo “BRIC” (Brasil, Russia, Índia e China), mas ele “antecipava” o futuro do planeta; no entanto, um slogan não faz o crescimento, não nessas circunstâncias. Como então podemos explicar o sucesso inegável dos países emergentes da Ásia e também suas falhas?

Os economistas concordam agora em atribuir ao Estado de Direito e à qualidade das instituições públicas a capacidade de enriquecimento das nações. Essa teoria não é totalmente verificável na Ásia. Na China, as instituições estão falhando e, na Coreia, a aliança entre governos e empresários leva a quase monopólios (a Chaebol, como Hyundai e Samsung), que impulsionam aparentemente o motor da economia. Assim, é  preciso, nessa parte do mundo, voltar-se para uma outra teoria explicativa, um pouco ultrapassada e que serve para a cultura e para as instituições. Basta visitar as empresas na Ásia para constatar que a disciplina rigorosa prevalece e a ética do trabalho determinam a alta produtividade: os particularismos culturais coincidem bem com o que sabemos da ideologia confucionista. Mesmo em uma democracia e apesar da ascensão universal do individualismo, é presente o comportamento coletivista no Nordeste da Ásia. O rigor da organização do trabalho que desencadeia esclarece – sem jamais explicar completamente – a preferência das empresas pela produção de massa, mas também de qualidade, com um talento particular para a reprodução ao idêntico e para junção – quer se trate da produção de navios, de automóveis, de utensílios domésticos ou de microprocessadores. Reprodução e montagem de modelos, que são, muitas vezes, projetados no Ocidente, constituem a base industrial desses países emergentes (como a China e a Coreia do Sul e Taiwan).

A cultura confucionista que contribui tanto para a produtividade pode afetar, talvez, o desenvolvimento do mercado interno e a inovação. O consumo doméstico que poderia contribuir para a recuperação mundial é comedido na Ásia devido a uma certa pobreza, mas também pela obrigação de economizar porque existe um pouco de solidariedade coletiva e, finalmente, por uma tendência cultural de se misturar à massa, preferindo-se não se distinguir de seu vizinho pelo consumo suntuoso. A capacidade de inovação é menos convincente nas áreas da civilização confucionista. Nessa região, apenas o Japão, que está na periferia e é distinto, apresenta tantas patentes mundiais quanto os Estados Unidos ou Europa. A Coreia do Sul está fazendo um caminho notável entre os grandes, mais no aperfeiçoamento das atividades existentes que por avanços qualitativos. A China tenta esconder o atraso mediante a apresentação de inúmeras patentes válidas no território chinês e na construção de grandes universidades. Por enquanto, nada de novo: a ilusão não substitui a inovação autêntica e a falta de liberdade intelectual não pode favorecer a invenção.

O Nordeste da Ásia continua a ser essencialmente um espaço de terceirização, a China principalmente. Quando o Ocidente diminui seu ritmo, a Ásia assegura menos a continuidade de sua força, privada do oxigênio do comando americano e europeu.

Na economia, em última instância, é sempre a combinação de inovação mais consumo de massa que gera o crescimento. Um Steve Jobs simplesmente contribui mais para o crescimento global do que qualquer política econômica a curto prazo. Também é necessário que as circunstâncias geográficas, políticas e culturais favoreçam o surgimento de novos Steve Jobs. Com base nisso, os Estados Unidos continuam a frente da Ásia e da União Europeia, o que é lamentável. Por essa razão, enquanto os norte-americanos não renovarem com um crescimento significativo, a economia mundial permanecerá estagnada.

 

Tradução: Maria Júlia Ferraz

Disponível no blog do autor

 

Sobre o assunto leia também: Como morrem as democraciasA terceira abertura do Japão

 



 
Compartilhar

COMENTÁRIOS
11/10/2012
(Fabrício Oliveira Soares)

Essa limitação conficionista ao "crescimento econômico" , tal como expressa na pessagem "uma tendência cultural de se misturar à massa, preferindo-se não se distinguir de seu vizinho pelo consumo suntuoso.", p.ex, é uma virtude, não um defeito, pois a tarefa da economia é disponibilizar os bens e serviços necessários para que as pessoas sobrevivam e possam buscar o verdadeiro sentido da existência, que é a realização espiritual. Garantida esta tarefa, não é preciso que se dê nem mais um passo além para inovar quanto a produtos e a serviços, pois a economia é tão meramente um meio, não é um fim. Isto não se dá só nas sociedades confucionistas, mas em todas as sociedades que antecederam a ideologia materialista, e só com o advento desta foi que a economia passou a assumir a sua condição atual; inclusive promove o julgamento quanto às tradições, analisando o que nelas promove o mercado e o que nelas o limita. É por isto que em épocas como o período de Natal, o Santo Padre Bento XVI - a quem trato com reverência apesar de eu não ser católico - precisa advertir contra o consumismo, lembrando aos fiéis sobre o verdadeiro significado da ocasião.
 
01/09/2012
(Pessimista)

Leitor Pedro, se seu comentário representa todo seu entendimento do texto acima, creio que o Sr. passou longe de compreender bulhufas .....
 
01/09/2012
(Jason)

Alguns foram ingênuos demais, em acreditar que os BRICS seriam a nova locomotiva global; Brasil, com reformas por fazer; Rússia com sua economia sem lei; Índia... China com seu sistema de trabalho escravo...
 
31/08/2012
(Pedro)

no penúltimo parágrafo talvez esteja uma boa explicação do fenômeno, somente trocando uma palavra: ... Ásia assegura menos a continuidade de sua força, privada do oxigênio do CONSUMO americano e europeu.
 
04/08/2012
(Davi)

No que as circunstancias geográficas interfere no surgimento de um Steve Jobs?
 
02/08/2012
(Paulo)

Me parece que o fio condutor das idéias deste artigo do sr. Sorman também está presente no livro Por que o Ocidente Venceu, do colunista deste M@M, Victor Davis Hanson
 
INSERIR COMENTÁRIO
Nome / Apelido
E-mail (opcional)
Comentário



Redação: Paulo Zamboni
AmbientalismoAmérica LatinaBrasilCulturaEconomiaEntrevistasEUA e GeopolíticaEuropaMídia em FocoOriente MédioPolíticaSegurança Pública
Artigos IndicadosCLIPPING@MAISEspecialLiteraturaResenhas
Home Editorial Faq Fale Conosco


Canais:
 
MÍDIA A MAIS © COPYRIGHT 2013, TODOS OS DIREITOS RESERVADOS