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O Euro ainda está em movimento
- Guy Sorman
Os comentaristas que fingem estar preocupados com o euro estão realmente interessados em preservar a supremacia do dólar e de Wall Street.

Ser vendedor de catástrofes é uma profissão sem riscos. Por exemplo, todos aqueles que anunciam o desaparecimento do euro e da eurozone, mesmo que isto não venha a acontecer, repetirão que basta esperar. Se o euro desaparecer, eles terão anunciado previamente o seu fim.

Mas as catástrofes não são certas, ainda mais na economia; então, vamos lembrar aqui por quais razões o euro não está realmente ameaçado.

Primeiro, o valor de uma moeda não depende de quem a usa, mas de quem a gerencia: neste caso, o Banco Europeu, em Frankfurt. Esse banco tem demonstrado, por 14 anos, uma gestão rigorosa e em conformidade com seu regimento que obriga a manter a estabilidade monetária. Assim, se esse banco sofreu forte controvérsia antes da crise mundial de 2008, isto já não é mais verdade: na recente campanha presidencial francesa, nenhum candidato contestou a independência do Banco, ao contrário da campanha de 2005, quando a esquerda e a direita decidiram atacar o Banco Central Europeu e o euro.

Em consequência, segundo argumento: os operadores financeiros, os mercados, continuam a ter confiança no euro, apesar das Cassandras. O valor do euro nesses mercados varia pouco em relação a outras moedas. O euro, desde a sua criação, é mais estável do que foi o marco alemão. Wall Street finge se preocupar, mas adquire euros da mesma maneira, e os países mais endividados da Europa ainda conseguem colocar seus títulos do Tesouro, embora isso se deva à elevação das taxas de juros praticadas por Espanha e Itália.

Assim, graças à independência do Banco de Frankfurt, as dívidas excessivas de certos Estados europeus não ameaçam a moeda comum. Além disso, esse dinheiro é utilizado por 330 milhões de europeus, o que reduz o risco de sua morte: há poucos entre eles que planejam deixar a eurozone para além de seus partidos extremistas. Os candidatos a entrar na Eurozone, os poloneses em particular, são mais numerosos que aqueles que querem sair.

A Eurozone, enfim, em sua totalidade, dispõe de recursos suficientes para socorrer as cigarras do sul. O debate verdadeiro não é sobre a sustentabilidade da Eurozone, mas sobre a distribuição das dívidas de uma União que não dispõe de uma autoridade comum, mas exige um consenso. Eventualmente, nós apostamos, sem risco excessivo, que os contribuintes da Europa do Norte vão acabar pagando pelos contribuintes da Europa do Sul, desde que concordem em participar – um pouco – desse esforço coletivo.

Nós vamos pagar pelo euro e pela Europa. O que acima de tudo protege o euro, e é por vezes mal compreendido na América do Norte, é o projeto europeu em que o Euro é um mecanismo técnico. A União europeia é o único projeto político real que vale para todos os dirigentes europeus: recuar sobre o euro seria desfazer a obra mais mais importante após a Segunda Guerra Mundial. Assim, consideramos que a disfunção atual da Eurozone conduzirá à criação, posteriormente, de uma autoridade orçamental comum. A crise revela a absoluta necessidade de que a autoridade federal faça do euro uma moeda de câmbio e reservas comparável ao dólar americano. Isso porque muitos economistas dos Estados Unidos desejam o desaparecimento do euro, escondendo seu medo da concorrência por detrás dos argumentos pseudocientíficos: os comentaristas que fingem estar preocupados com o euro estão verdadeiramente interessados em preservar a preeminência do dólar americano e a supremacia de Wall Street.

Tradução: Maria Júlia Ferraz

Disponível no blog do autor

 



 
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COMENTÁRIOS
15/06/2012
(Paulo)

Acho que o sr. Sorman está muito mais manifestando uma opinião baseada num desejo pessoal do que numa análise escorada em fatos. E com a sanha socialista que de tempos em tempos aflora na Europa, é impossível acreditar que medidas saneadoras e equilibradas de longa duração funcionem e tragam uma real prosperidade de volta ao continente europeu.
 
15/06/2012
(João Nemo)

Embora os textos do Sorman quase sempre me agradem bastante, neste caso creio que, acima de tudo, falou como francês. Estou preparando uma resenha para apresentar o livro "A Tragédia do Euro" - Phillip Baggus - recentemente lançado entre nós. Acho que a coisa é mais complicada. O articulista fala, por exemplo, de estabilidade superior ao Marco e o Phillip mostra evidências, no seu livro, de que os franceses sempre desejaram se livrar da sombra comparativa da moeda alemã e consideravam o rigor fiscal do Bundesbank uma ameaça. Onde será que ele coloca a França? Não creio que aceite coloca-la entre as cigarras do sul, mas deveria, pelo menos, reconhecer o estilo socialista de ser que predominou ao longo dos anos dando razão à Sra. Thatcher e sua famosa frase: "o socialismo dura enquanto dura o dinheiro dos outros".
 
13/06/2012
(Marcelo Paz)

O euro é uma coisa, a livre circulação de pessoas e mercadorias é outra coisa e independe de uma moeda única. Está correto isso de que o euro é mais estável que o marco alemão? Duvido.
 
13/06/2012
(Maurício S. Pereira)

Otimismo absolutamente infundado do autor, a não ser que ele tenha informações privilegiadas pouco acessíveis aos reles mortais... Pois será que os países-cigarras irão alegremente ceder suas soberanias orçamentárias a uma autoridade exterior, distante, fria, impessoal e ilegítima? A não ser que a UE se imponha pela força das armas, tal como uma URSS rediviva, a manutenção do Euro, nos termos atuais, é absolutamente inviável, uma vez que os países mais fracos não irão querer a imposição do arranjo quando não mais puderem brincar de gastadores irresponsáveis. Uma possível solução seria a convivência do Euro com as respectivas moedas de cada país, tal como ocorre na Suíça e na Suécia...
 
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