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A ideologia verde

Joao Luiz Mauad
Caso o fanatismo ambientalista prevaleça, os maiores prejudicados serão os mais pobres.

Com a aproximação da Conferência Rio+20, as declarações apocalípticas dão o tom do debate. O ministro Gilberto Carvalho, por exemplo, declarou que “o mundo se acabaria rapidamente se fosse universalizado o padrão de consumo das elites”.  No mesmo diapasão, o neoconservaciocista Delfim Neto – ninguém menos que um dos idealizadores da escandalosa Transamazônica - foi categórico, em entrevista ao Globo: “Conflitos serão inevitáveis. Não há como o planeta sustentar nove bilhões de pessoas com renda de US$ 20 mil cada”.

Essa gente não tem a menor imaginação.  No início do Século XIX, quando a Terra era habitada por apenas 1 bilhão de pessoas, Thomas Malthus previu que a população mundial cresceria em proporções geométricas, enquanto a produção de alimentos e outros recursos cresceria em progressão aritmética. “A morte prematura visitará a humanidade em breve, que sucumbirá em face da escassez de alimentos, das epidemias, das pestes e de outras pragas”, profetizou.

Em 1968, quando a população mundial era de 3,5 bilhões, o ecologista Paul Ehrlich, um colecionador de prêmios e comendas científicas, escreveu um livro (The Population Bomb) onde previu que, como resultado da superpopulação, centenas de milhões de pessoas morreriam de fome nas décadas seguintes. Num discurso de 1971, ele previu que "até o ano de 2000, o Reino Unido será simplesmente um pequeno grupo de ilhas empobrecidas, habitadas por cerca de 70 milhões de famintos."

De lá para cá, a população mundial dobrou e, embora ainda haja problemas sociais graves a resolver, principalmente ligados à pobreza, as previsões alarmistas de Malthus e Ehrlich jamais se concretizaram. Pelo contrário, graças às novas tecnologias e ao crescimento esponencial da produtividade, o percentual de subnutridos nos países em desenvolvimento, em relação ao total da população, vem apresentando uma firme tendência declinante há quatro décadas, tendo baixado de 33% em 1970 para 16% em 2004.

O chamado “movimento verde” nasceu da justa indignação de alguns com o desmatamento, a poluição do ar, dos rios e dos mares, além da preocupação com os riscos para a saúde humana provenientes da atividade industrial. Com o tempo, entretanto, o movimento foi sendo dominado e transformado por ideólogos esquerdistas, preocupados não com a poluição ou com a nossa saúde, mas com a política e o poder. A partir desse ponto, a doutrinação, o proselitismo e a disseminação do pânico foram tão fortes que as teorias mais bizarras tornaram-se politicamente corretas.
 
A essência da ideologia verde está na crença de que a humanidade deve minimizar o seu impacto sobre a natureza, custe o que custar. Vide a gritaria contra a aprovação do novo Código Florestal, uma lei extremamente preservacionista e restritiva à atividade econômica, sem similar no mundo, mas que, mesmo assim, conseguiu desagradar os xiitas.  Mas os seus principais inimigos são mesmo os combustíveis fósseis, as hidrelétricas e termonucleares, que, não por acaso, ao todo significam quase 98% da produção de energia do planeta, e sem os quais o mundo para. 

O que os adeptos desse radicalismo se recusam a enxergar é que nós, seres humanos, só sobrevivemos e prosperamos através da transformação da natureza, sem o quê não satisfazemos as nossas necessidades mínimas. Nosso bem estar está diretamente ligado à nossa capacidade de tornar o ambiente a nossa volta menos agressivo e mais hospitaleiro.  Pensem por um minuto no que seria de nós sem os modernos sistemas de esgotamento sanitário, a água encanada, as construções mais seguras, resistentes e protegidas das intempéries naturais, a comida fresca e farta, as vacinas e os remédios, os meios de transporte e comunicação rápidos e eficientes.
 
Graças a Deus, as gerações que nos precederam visaram o progresso.  Elas tiveram orgulho de construir fábricas, abrir estradas,  perfurar poços e  escavar a terra a procura de novos recursos.  Felizmente, não estavam contaminados pela ideologia verde.  O desenvolvimento econômico que eles nos legaram, longe de ser nocivo, é uma verdadeira dádiva, que nos forneceu as ferramentas e a tecnologia necessárias para tornar o nosso habitat mais saudável e acolhedor.  É verdade que tudo isso resultou em alguma poluição e desmatamento.  No entanto, mesmo esses indesejáveis efeitos negativos têm sido superadas com bastante êxito pelas nações mais avançadas.

É claro que a solução não está na restrição do consumo, mas no aumento da produtividade e no desenvolvimento tecnológico. Sem falar que os mais prejudicados, caso esse fanatismo ambientalista prevaleça, serão os mais pobres, caso sejam privados do uso de fontes de energia eficientes e baratas, e, consequentemente, da chance de poderem um dia usufruir do padrão de vida dos países ricos.

Publicado por O Globo em 11/05/2012

 



 
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COMENTÁRIOS
17/07/2012
(Hugo Siqueira)

A questão ambiental não é um fenômeno objetivo. Custos e benefícios recaem de modo diferente sobre diversos países diversos. Muitos aceitariam de bom grado mais poluição em troca de eletricidade mais barata. È um problema de grandes cidades que criam demandas de poluição sobre si mesmas e cujo efeito é insignificante comparado ao restante dos mares e regiões desérticas ao edor do mundo (ver foto de satélies). Vulcões, tsunamis e furacões contribuem muito mais para o clima, que não é previsível. Muitos não aceitam que o clima seja caótico: uma questão de credo. Vaticínios apocalíticos sempre renderam rios de dinheiro. Que o digam os religiosos que vivem disso.
 
16/07/2012
(Hugo Siqueira)

VAZAMENTO Acidentes acontecem nas melhores economias e nem são tão freqüentes quanto os acidentes naturais (terremoto e furacões). Mas, o que os torna particularmente relevantes é a ocorrência simultânea com acidentes naturais: O 1º, da BP pela proximidade da costa Americana, sujeita a furacões quase previsíveis ? com calendário de nomes e datas -- em cujo entorno existem outras mil plataformas, algumas em funcionamento, outras abandonadas. O 2º, da Chevron não tem a gravidade do acidente no golfo do México, que lançou 5 milhões de barris de petróleo no mar e destruiu a plataforma (a um custo de US$ 1 bilhão) e causando 11 mortos e 17 feridos. A Chevron foi severamente penalizada, devido em parte, pela infeliz coincidência de estar presente nos dois acontecimentos. Mas esqueceram da Petrobras como associada da Chevron.
 
09/07/2012
(Gabriel Ruiz)

Alguém pode me explicar o que é que o leitor Hugo Siqueira quis dizer? Não fez sentido algum. Tsunamis com nome próprio e data marcada? Isso não pode estar certo.
 
01/07/2012
(Hugo Siqueira)

Acidentes climáticos produzidos pelo homem acontecem "nos melhores países". Mas, são muito menos frequentes do que os acidentes naturais, alguns deles - de muito maior magnitude como tornados e Tsunamis - têm nomes próprios e datas marcadas para acontecer. O que torna particularmente relevantes os acidente do homem é a ocorrência simultânea, como aconteceu no golfo do México e Fukushima. Acidentes naturais não têm causas imediatas. São engendrados de forma caótica ao longo de milhões de anos.
 
27/06/2012
(Leonardo)

Mauad, sem querer desmerecer a sua resposta ao outro leitor, mas você não está considerando o feedback do CO2 na atmosfera, aonde um incremento de emissões em um ano não implica um crescimento proporcional no ano seguinte. O processo demora bastante tempo, entre 25 a 30 anos. Não sei se cabe uma explicação gigante aqui, mas acho conveniente ressaltar que de qualquer coisa que possa ser dita sobre o clima da Terra, só não pode ser dito que é algo simples de ser resumido ou explicado. Você deve imaginar a quantidade de fatores que podem alterar minimamente o clima da Terra, o CO2 é só um deles. abs,
 
06/06/2012
(Amauri)

Boa tarde! Aqui no Brasil esta sendo noticiado o evento GEO 5, e esta dando esta notiicia: "O relatório ainda ressalta que houve pouco avanço nas metas de mudanças climáticas e poluição do ar. Análises independentes mostraram que a última década (2000-2009) foi a mais quente já registrada, e 2010 teve o maior índice de emissões gerados de combustíveis fósseis." Sou cetico em relação ao AGA, e em entrevista que li e assiste de cientistas brasileiros ceticos, dizem que na verdade a temperatura até diminuiu um pouco. Voce poderia dizer algo sobre este relatorio? Grato, Amauri. **** Na verdade, as temperaturas na última década se mantiveram praticamente estáveis, sem aquecimento ou resfriamento, embora as emissões de CO2 tenham aumentado significativamente. O que os céticos alegam, diante desse fato, é que isto seria mais uma prova de que o Aquecimento Global havido no último século (de aproximadamente 0,6ºC) não deve ser atribuído às emissões de carbono pelos seres humanos. A principal discussão entre céticos e aquecimentistas, acerca do chamado "aquecimento global antropogênico", não é a respeito de um eventual aquecimento global em si, mas se ele é originado pela ação humana ou não. Abrs Mauad
 
04/06/2012
(hugo siqueira)

Rio+17 Não há clima para a póxima reunião da Rio+20, onde os profetas do apocalípse da nova seita vão pontificar. A prosseguimento da crise se incumbiu de reduzir os ?perigos? de desabastecimento. O desfalque dos principais interessados esvazia a reunião. A Queda nos preços do petróleo é consequência do aumento na oferta de energia e substituição por novas fontes: descobertas do shale gás e o aumento da produção interna de petróleo. ?O continente norte americano passa por uma enorme revolução na oferta de energia. O Canadá, parceiro preferencial dos Estados Unidos, já é a segunda reserva de petróleo do mundo, somente atrás da Arábia Saudita. O aumento da oferta está provocando uma queda exponencial do preço da energia americana, o que, num segundo momento, vai levar a ida de uma série de indústrias para o país e o retorno do crescimento econômico?.
 
18/05/2012
(Leonardo)

Vou ser honesto, é o primeiro artigo do João Mauad que eu gosto. De qualquer forma, ficou na cabeça uma dúvida para o autor: por mais que os caminhos tomados atualmente pela economia verde sejam questionáveis pelas razões apresentadas, a "justa indignação" ainda assim se justifica ou não? Talvez seja interessante ver também que nesse meio também há esquerdas e direitas, ótimas e péssimas ideias. O autor não faz isso, mas há quem rotule por aí a economia verde como "eco-chatos", o que não corresponde à realidade, pelo menos do jeito que eu a vejo. *** Resposta: Caro Leonardo, Se este é o meu primeiro artigo de que você gostou, deve haver algo errado com ele. :-) Acho que o artigo é bastante claro quanto à justa indignação com a poluição, desmatamento, etc, e que isso não tem nada a ver com a chamada "economia verde" que hoje tentam nos impor a todo custo. O problema está justamente no fato de os xiitas se aproveitarem de situações que contam com alguma unanimidade, como a poluição dos mares e dos rios, por exemplo, para, a partir daí, tentarem impor suas agendas anticapitalistas e anticonsumistas, etc. Abrs João Mauad
 
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Redação: Paulo Zamboni
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