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À espera do terceiro escrutínio [1]
- Guy Sorman
A derrota de Sarkozy não será o final do drama francês

O primeiro turno da eleição presidencial francesa foi um referendo contra Nicolas Sarkozy. Pode-se considerar raro que um presidente que não tenha cometido um erro político grave ou imperdoável não atinja um terço dos votos, principalmente quando não tenha concorrido contra ele nenhum candidato da direita moderada. Seus partidários imediatamente atribuíram à crise econômica a principal razão para essa falha. Certamente, em toda a Europa Ocidental, fora a Polônia, todos os candidatos que saíram depois de 2008 foram derrubados e substituídos pelo partido oposto, mas nenhum sofreu tamanha afronta. Essa é, pois, a pessoa, o estilo Sarkozy que foi repudiado pela imensa maioria dos eleitores franceses. Sarkozy é, sem dúvida, uma vítima dele mesmo: brilhantemente eleito há cinco anos como o defensor de reformas mais liberais que jamais foram oferecidas para o francês [2], no entanto, ele nunca aplicou o programa (nós pensamos na reforma de 35 horas [3] sempre presente e na inflexibilidade do mercado de trabalho), o que irritou os liberais e os antiliberais desde que as reformas não foram concluídas – o medo delas, contudo, permaneceu. Não fazer o que se foi eleito para fazer é uma promessa de derrota eleitoral.

Essa rejeição a Sarkozy beneficia aqueles que são, tradicionalmente, os mais radicalmente hostis: comunistas, trotskystas, anticapitalistas, que reencenam o melodrama da revolução de 1789, assim como os reacionários da Frente Nacional com a retórica da anti-imigração. Esses movimentos somados partilham os eleitores em comum, que rejeitam o regime democrático, a economia liberal e o racionalismo econômico: juntos, eles substituem mitos e constituem uma frente de rejeição enorme, sem equivalente nas outras democracias ocidentais; e isso conta um terço da população francesa. Embora esses refuziniks [4]  da democracia liberal, portadores da discórdia, barretes frígios [5] e ecologistas profundos se colocassem prudentemente no segundo turno atrás do candidato socialista e,  por reflexo, anticomunista – atrás de Nicolas Sarkozy. No entanto, em todo caso, o rancor do primeiro turno permanecerá e no futuro será manifestado por greves e outros movimentos sociais de maneira a tornar difíceis ou impossíveis as reformas racionais que seriam necessárias para evitar a falência imintente nas finanças públicas.

Essa falência vai se voltar para François Hollande, o vencedor no primeiro turno, vencedor provável no segundo turno. O “não” a Sarkozy no primeiro turno vai tornar o 6 de maio um round sem fervor, mas inevitável para Hollande. Como Hollande, de posse de seu novo cargo, mas sem o apoio de uma onda entusiasta e sem um programa, conseguiria tornar o Estado francês operacional e menos predador ao restaurar o espírito de competição entre os empresários? A vantagem de Hollande será de não ter prometido nada fora do previsto para não ser Sarkozy. Mas, já se pensou na forma do Estado no futuro? Não está claro: o que prenuncia um terceiro escrutínio doloroso, nas ruas ou nos mercados financeiros, são os grandes eleitores finais. 

 

 O escrutínio é ato de abrir uma urna eleitoral numa votação secreta, e de recolher e contar os votos que nela entraram em favor de cada candidato ou lista. Os escrutínios podem ter fases automatizadas ou manuais, realizando-se de formas distintas em função dos diferentes territórios e sistemas eleitorais.
  Na época, seu lema era “trabalhar mais para ganhar mais”
  Reforma de 35 horas é uma medida política-econômica introduzida na França pelo governo de Jospin fixando o tempo de trabalho empregado de 39 para 35 horas semanais. Essa medida favoreceu a criação de empregos.
  O termo originariamente se refere ao termo não oficial que designava as pessoas que tinham o visto de emigração recusados. Eram principalmente judeus soviéticos, mas não apenas eles. Nesse caso, o autor Guy Sorman faz uma comparação aos eleitores hostis à uma democracia liberal.
  o barrete frígio é uma espécie de touca ou carapuça, originariamente utilizada pelos moradores da Frígia(antiga região da Ásia Menor, onde hoje está situada a Turquia). Foi adotado, na cor vermelha, pelos republicanos franceses que lutaram pela queda da Bastilha em 1789, que culminou com a instalação da primeira república francesa em 1793. Por essa razão, tornou-se um forte símbolo da república dos jacobinos
[1] O escrutínio é ato de abrir uma urna eleitoral numa votação secreta, e de recolher e contar os votos que nela entraram em favor de cada candidato ou lista. Os escrutínios podem ter fases automatizadas ou manuais, realizando-se de formas distintas em função dos diferentes territórios e sistemas eleitorais.

[2] Na época, seu lema era “trabalhar mais para ganhar mais”

[3]  Reforma de 35 horas é uma medida política-econômica introduzida na França pelo governo de Jospin fixando o tempo de trabalho empregado de 39 para 35 horas semanais. Essa medida teoricamente visaria a criação de empregos.

[4] O termo originariamente se refere ao termo não oficial que designava as pessoas que tinham o visto de emigração recusados. Eram principalmente judeus soviéticos, mas não apenas eles. Nesse caso, o autor Guy Sorman faz uma comparação aos eleitores hostis à uma democracia liberal.

[5] o barrete frígio é uma espécie de touca ou carapuça, originariamente utilizada pelos moradores da Frígia(antiga região da Ásia Menor, onde hoje está situada a Turquia). Foi adotado, na cor vermelha, pelos republicanos franceses que lutaram pela queda da Bastilha em 1789, que culminou com a instalação da primeira república francesa em 1793. Por essa razão, tornou-se um forte símbolo da república dos jacobinos.

 O escrutínio é ato de abrir uma urna eleitoral numa votação secreta, e de recolher e contar os votos que nela entraram em favor de cada candidato ou lista. Os escrutínios podem ter fases automatizadas ou manuais, realizando-se de formas distintas em função dos diferentes territórios e sistemas eleitorais.
  Na época, seu lema era “trabalhar mais para ganhar mais”
  Reforma de 35 horas é uma medida política-econômica introduzida na França pelo governo de Jospin fixando o tempo de trabalho empregado de 39 para 35 horas semanais. Essa medida favoreceu a criação de empregos.
  O termo originariamente se refere ao termo não oficial que designava as pessoas que tinham o visto de emigração recusados. Eram principalmente judeus soviéticos, mas não apenas eles. Nesse caso, o autor Guy Sorman faz uma comparação aos eleitores hostis à uma democracia liberal.
  o barrete frígio é uma espécie de touca ou carapuça, originariamente utilizada pelos moradores da Frígia(antiga região da Ásia Menor, onde hoje está situada a Turquia). Foi adotado, na cor vermelha, pelos republicanos franceses que lutaram pela queda da Bastilha em 1789, que culminou com a instalação da primeira república francesa em 1793. Por essa razão, tornou-se um forte símbolo da república dos jacobinos 

Tradução: Maria Júlia Ferraz

Disponível no site do autor

 



 
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Redação: Paulo Zamboni
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