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A próxima guerra global
- Redacao Midia@Mais
Todas as semanas surge uma nova encruzilhada para o Euro. Uma vez é a economia da Irlanda, outra a da Grécia, e os nomes dos países vão se sucedendo, na ordem dos mais fracos para os mais fortes: seus governos são convidados pela comunidade europeia a fazer ajustes fiscais para poderem receber ajuda de instituições financeiras como o Banco Central Europeu e o FMI. 

Todas as semanas surge uma nova encruzilhada para o Euro. Uma vez é a economia da Irlanda, outra a da Grécia, e os nomes dos países vão se sucedendo, na ordem dos mais fracos para os mais fortes: seus governos são convidados pela comunidade europeia a fazer ajustes fiscais para poderem receber ajuda de instituições financeiras como o Banco Central Europeu e o FMI. 

Se vai dar certo ou não, ainda não se sabe, mas não há dúvida de que o euro está em crise e de que o mundo entrará em outra guerra de divisas, como alerta James Rickards em Currency Wars: The Making of the Next Global Crisis (em português, "Guerra de Divisas: a confecção da próxima crise global", editora Portfolio Hardcover).
 
A guerra de divisas é um termo cunhado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, hoje utilizado mundo afora para definir a sucessão de medidas que os países tomam para proteger a estabilidade de suas moedas – na verdade seus empregos e suas indústrias, muitas vezes causando prejuízo a outras nações. Rickards, formado em direito e economia, e  um banqueiro com 35 anos de experiência em Wall Street,  acredita que os Estados Unidos precisam voltar ao padrão-ouro. 
 
O padrão ouro foi o sistema monetário que existiu entre o final do século 14 e a II Guerra Mundial, teoricamente funcionando da seguinte maneira: em cada país, o valor do meio circulante era exatamente igual ao que o seu banco central guardava em ouro. No acerto da balança de pagamentos entre os países ao final de cada ano, aqueles que tinham exportado mais recebiam seu pagamento em ouro e vice-versa.
 
O padrão esgotou-se ao final da II Guerra, já que a Inglaterra e outros países saíram dela praticamente quebrados e sem ouro. A solução apareceu nos Acordos de Breton Woods, de 1944, em que os países concordaram em substituir o ouro pelo dólar americano como garantia – enquanto os EUA, e somente eles, lastreavam o dólar ao ouro, pelo valor de US$ 35 a onça (28 gramas). 
 
Como nenhuma solução  é apropriada para 100% das situações, o padrão ouro também não foi: nos anos seguintes, os Estados Unidos gastaram mais do que podiam, especialmente com seus investimentos em defesa para a guerra fria, e especialmente, com a guerra do Vietnã. O resultado combinado dessas duas iniciativas é que o país chegou ao ano de 1971 no vermelho em termos de ouro. Para piorar, o crescimento da oferta do metal não acompanhava o crescimento da economia mundial.
 
Em 15 de agosto desse ano, o presidente americano Richard Nixon anunciou que os EUA estavam abandonando o padrão ouro e que  cada moeda seria cotada em relação ao dólar, conforme o mercado determinasse. Essa decisão é uma das origens do déficit americano – como não era mais preciso conseguir ouro para garantir as emissões de moeda, os EUA poderiam emitir todos os dólares que  quisessem. Resultado: seu deficit está na casa dos US$ 14 bilhões.
 
Para qualquer país, a taxa de câmbio em relação ao dólar é um dos grandes reguladores da sua vida econômica – desvalorizar significa a possibilidade de ter mercadorias baratas para exportar  – e também implica importações caras. Valorizar significa exatamente o contrário. 
 
A oscilação, portanto, pode representar emprego ou desemprego, enriquecimento ou empobrecimento, lucro ou prejuízo. E é aí que está a origem da guerra das divisas, uma das mais temidas reações dos países no campo das relações internacionais: ao desvalorizar sua moeda, um país pode estar prejudicando seus parceiros comerciais e provocando crises que envolvam recessão, inflação e, às vezes,  violência. Diante dessa perspectiva é que  Rickards  acha que a guerra cambial  em curso poderá levar a uma crise pior do que a de 2008.
 
A cada solavanco que o sistema monetário internacional sofre, há uma queda na confiança daqueles que têm capitais e podem movimentá-lo em favor do desenvolvimento da indústria, do comércio, dos serviços. Com os capitais parando de circular, a etapa imediatamente seguinte é a recessão e todas as suas consequências. 
 
A confiança dos capitalistas vem sendo abalada diariamente pelas notícias de todo o mundo, como o enfraquecimento do dólar, desconfiança dos banqueiros americanos, manipulação da moeda chinesa, compra de ouro pela China em quantidades cada vez maiores (para reforçar sua economia e sua moeda). Ao mesmo tempo, o Tesouro americano continua emitindo dólares aos trilhões, enquanto a Europa luta para que a confiança no euro não se esgarce e destrua a moeda. 
 
Por mais que os governos dos países desenvolvidos tenham reservas para manter suas moedas estáveis, existe o risco de que a guerra de divisas continue mesmo a crescer e provoque consequências muito graves. Uma delas é uma grande desvalorização do euro, que já começou a acontecer.
 
O Brasil, no meio disso tudo, está apoiado em reservas internacionais acumuladas principalmente em títulos do Tesouro americano, já que em termos de ouro não temos grande expressão – estamos em 47º lugar, abaixo de países como a Indonésia e o Peru, por exemplo. 
 
O grande perigo agora está na corrosão da confiança, um dos três pilares sobre os quais se apoia o sistema monetário internacional (os outros dois  são ajuste e liquidez). Não há confiança, porém, capaz de resistir ao que os noticiários  mostram dia após dia.

Publicado pelo Diário do Comércio em 14/12/2011

 



 
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COMENTÁRIOS
06/01/2012
(arnaldo)

Fantastico o artigo!
 
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Redação: Paulo Zamboni
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