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Petróleo ainda dita os rumos do futuro
- Redacao Midia@Mais
Daniel Howard Yergin é economista, considerado uma das maiores autoridades do mundo em energia. É um homem que assessora chefes de Estado e empresários quando há dúvidas sobre o rumo a tomar nas questões energéticas.

Daniel Howard Yergin é economista, considerado uma das maiores autoridades do mundo em energia. É um homem que assessora chefes de Estado e empresários quando há dúvidas sobre o rumo a tomar nas questões energéticas.

Yergin ganhou mais notoriedade quando publicou, em 1992, O Prêmio: a Busca Épica por Petróleo, Dinheiro e Poder, que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer desse ano. Nessa obra ele já provava que a energia é o que de fato impulsiona as mudanças políticas e econômicas do mundo. Agora, mostra os detalhes e novas explicações sobre esse assunto em The Quest: Energy, Security, and the Remaking of the Modern World (em português, "A Busca: Energia, Segurança e a Reconstrução do Mundo Moderno", The Penguin Press HC, 816 páginas). 

Quatro anos atrás ele esteve no Brasil para um encontro em que especialistas de diversas partes do mundo discutiram as possibilidades para o álcool brasileiro (agora etanol) no mercado de combustíveis. Yergin chegou ao anunciar que em três anos o etanol brasileiro se transformaria num produto de exportação muito relevante, mas suas expectativas foram até modestas em relação à realidade atual.
 
As decisões sobre energia não se originam apenas na mente dos governantes e empresários. Yergin mostra que elas surgem nas ruas de Pequim, nos conflitos do Oriente Médio, nas praias do Mar Cáspio, no Vale do Silício ou no Rio de Janeiro e precisam ser bem compreendidas, caso contrário, podemos estar abrindo mão dos rumos que escolheremos para o futuro. Todas essas decisões afetam, de um ou de muitos modos, o equilíbrio do meio ambiente e o aquecimento global.
 
O livro acaba centralizado nas questões do petróleo por razões óbvias – os dados mais recentes da Energy Information Administration, dos EUA, mostram que o petróleo responde por 35% da energia consumida e o carvão, por 21%, enquanto o gás natural responde por 21% do consumo e as fontes renováveis apenas por 8%. 
 
A Agência Internacional de Energia (AIE) calcula que serão necessários investimentos da ordem de US$ 10,5 trilhões até 2030 para que esse quadro se torne mais confortável em termos de dependência de uma fonte ou de outra. A situação ficou assim por causa das decisões tomadas pelas empresas e governos em relação à energia. 
 
Yergin mostra o caminho percorrido pelo mundo até esse ponto, com a ascensão do que ele chama de "petrostate", a corrida pelo controle dos recursos energéticos do antigo império soviético, e as gigantescas fusões corporativas que transformaram o mercado mundial de petróleo para sempre. Com tal grau de dependência, países e empresas estão o tempo todo numa batalha pelo petróleo – acesso e controle, manutenção de estoques e de fornecedores, para aliviar a insegurança do abastecimento. 
 
Todas essas ações, garante Daniel Yergin, continuarão a moldar a geopolítica e o mundo. E por trás delas sempre haverá questões difícieis de responder. Como, por exemplo: China e EUA poderão em algum momento entrar em guerra por causa de petróleo? 
 
Todos os países investem em alternativas justamente para evitar que se chegue a esse ponto, mas isso já aconteceu. A invasão do Kuwait pelo Iraque, por exemplo, foi feita sob a acusação de que o Kuwait estava roubando petróleo iraquiano por meio de sondas inclinadas. Na verdade, o Iraque tinha outras razões para a invasão, entre elas a necessidade de vender mais petróleo para pagar uma dívida de médio prazo da ordem de US$ 80 bilhões. Uma dívida contraída para pagar as despesas de outra guerra, contra o Irã.
 
Yergin conta que há turbulências também em relação às outras fontes de energia – nuclear, carvão, eletricidade e gás natural oferecem cenários nada tranquilos, mas há esperança: as energias alternativas continuam um caminho importante a ser trilhado pelos governos e empresas. 
 
Hoje, os bancos de investimento estão de olho nas empresas que produzem biocombustíveis e equipamentos para geração de energia eólica ou solar, que poderão ser importantes no crescimento da economia mundial durante as próximas décadas. 
 
Nos EUA, uma das alternativas que começa a se consolidar é a extração de gás de xisto, que recentemente se tornou viável. Até o ano 2000, ele representava apenas 1% do suprimento americano de gás natural. Hoje, já participa com 25% e pode subir para 50% dentro de duas décadas. Com sua entrada na matriz energética, as reservas de gás do país subiram para cerca de 70 trilhões de metros cúbicos de gás, sem falar em outros 14 trilhões  que existem no Canadá, maior fornecedor de petróleo para os EUA. Isso representa um estoque de gás suficiente para mais de 100 anos de fornecimento. O Brasil, por ora, tem reservas conhecidas da ordem de 6 trilhões de metros cúbicos de gás de xisto.
 
No entanto, como se não faltassem incertezas no horizonte, entra agora a questão da queda de produção da Líbia. Depois dos combates e do ataque a bases, refinarias e poços, os rebeldes acreditam que é possível restaurar a produção em alguns meses, mas a maioria dos especialistas acha que vai levar ao menos um ano para que os níveis de produção se igualem aos anteriores à guerra civil.
 
"A história mostra que é um trabalho pesado e complexo administrar uma indústria petrolífera nos momentos de incerteza sobre quem está no poder", disse Yergin numa entrevista ao jornal The New York Times. "Agora", completou, "é preciso descobrir que estragos foram feitos e quem irá administrar essa indústria".

Publicado pelo Diário do Comércio em 31/08/2011

Nota Redação MÍDIA@MAIS: embora o artigo acima "queime algumas velas" no altar da seita ambientalista, ele essencialmente reconhe o fato básico de que o petróleo ainda é e continuará sendo o principal instrumento para impulsionar o crescimento econômico e social da humanidade, por mais que seja demonizado ou tenha seus dias dados como contados em favor de outras fontes de energia, que no final das contas se revelam inviáveis diante da funcionalidade e custo do "ouro negro".

 



 
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COMENTÁRIOS
07/09/2011
(Marly Winnie)

Por ser economista o Dr.Daniel não tem obrigação de conhecer Geologia e trabalha ainda com o velho paradigma geológico de que o petróleo vai acabar. No momento em que conhecer os Novos Paradigmas Geológicos sobre o petróleo ele poderá aconselhar melhor empresários e chefes de governo na condução de uma política energética correta.. Hoje, todos os países, ricos e pobres, estão desperdiçando dinheiro com as energias alternativas porque ainda não sabem que o petróleo é uma riqueza inesgotável. A descoberta do Ciclo da Energia no planeta está revolucionando ideias e mudando o mundo para melhor. Confira em video e esquema http://www.petroleoeecologia.com.br/ciclo.html
 
07/09/2011
(Marly Winnie)

Dr.Yergin tinha que desconfiar do etanol como fonte de energia alternativa ao petróleo. O bom senso diz que cana-de-açúcar é para produção de açúcar, e com o excedente se faz etanol. Nunca, ao contrário! O Ciclo da Energia diz que as energias de superfície, cana, soja, milho, beterraba, e outros vegetais, são alimentos para os animais. E a energia de subsuperfície, o petróleo, é o alimento dos motores. A mesma matéria prima dos seres orgânicos, CO2 e H2O, é a do petróleo, tendo como única diferença o local onde cada energia se acumula: em superfície ou subsuperfície. Impor a produção de etanol e biocombustíveis como alternativas ao petróleo é um despedício de tempo e dinheiro. http://www.petroleoeecologia.com.br/aquecimento.html
 
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