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O futuro do dólar
- Redacao Midia@Mais
Na semana passada, o preço do ouro estava em plena alta e batendo recordes –  pela primeira vez o valor da onça ultrapassou a barreira dos US$ 1.700. Quem acompanha os movimentos do mercado financeiro sabia que isso iria acontecer por uma razão muito simples: os capitais, que sempre se concentram nas opções de mais valor, começaram a fugir do dólar.

Na semana passada, o preço do ouro estava em plena alta e batendo recordes –  pela primeira vez o valor da onça ultrapassou a barreira dos US$ 1.700. Quem acompanha os movimentos do mercado financeiro sabia que isso iria acontecer por uma razão muito simples: os capitais, que sempre se concentram nas opções de mais valor, começaram a fugir do dólar.

Isso queria dizer o seguinte: quem confiava suas economias, poupanças, reservas ou que nome tenha em ativos baseados em dólar, começou a fugir para o ouro, considerado mais estável, menos arriscado. Quem entende de investimento, no entanto, sabe que ouro, do ponto de vista do investidor, não é grande coisa – não rende juros e a liquidez é sempre incerta. Mas o valor não evapora como o de certos ativos.

Um investimento em ações pode ser mais arriscado, porque empresas nascem e também podem morrer. Mas durante sua existência, elas podem crescer e dar muito lucro – um pequeno investimento numa empresa pode muito bem render um dinheirão.
 
Ainda assim, empresas podem mesmo desaparecer, por muitas razões diferentes, e é por isso que os investidores procuram ativos mais sólidos quando percebem risco nos papéis que compraram.
Desde a antiguidade o ouro foi a reserva de valor preferida de muitos governos, pessoas físicas e jurídicas. Reis, piratas, governantes, empresários, nobres e plebeus sabem que ouro é um dos metais mais valiosos do mundo. E nestes tempos de incerteza em relação ao dólar, está se tornando a primeira escolha de muitos investidores.
 
Na primeira metade deste ano, os bancos centrais do mundo inteiro compraram mais ouro do que no ano passado inteiro, diz o World Gold Council em suas estatísticas. Metade das compras são da China e da Índia; a Coreia do Sul comprou 25 toneladas nos últimos dois meses, quase triplicando seus estoques; no mesmo período, o Banco da Tailândia comprou 30 toneladas; só no primeiro trimestre de 2011, o Banco Central do México comprou cerca de 90 toneladas (pelo equivalente a US$ 4 bilhões).
 
O Brasil não parece ter se interessado muito pelo ouro: em agosto, temos de reserva apenas 33 toneladas e em janeiro vendemos 1,2 tonelada.
 
Mas com todo mundo comprando o metal, pior para o dólar (ou para os títulos do governo americano), que está perdendo seu posto no olimpo das moedas, como escreve o economista e cientista político Barry Eichengreen em Exorbitant Privilege: The Rise and Fall of the Dollar and the Future of the International Monetary System (em português, "A ascensão e queda do dólar e o futuro do sistema monetário internacional", 224 pages, editora Oxford University Press).
 
É bom lembrar que o primeiro lugar entre as moedas já foi ocupado, muito tempo atrás, pela libra esterlina, cujo emissor, a Inglaterra, dominava a economia do planeta até que acontecesse a primeira guerra mundial.
 
Nessa época, várias outras moedas eram também mais importantes do que o dólar – como o florim holandês, o franco belga e o schilling austríaco. O dólar não havia ultrapassado a libra antes por uma série de razões, conta o autor, embora a economia americana já houvesse passado a da Inglaterra para trás em 1870.
 
No entanto, o sistema financeiro americano era uma bagunça e era isso que impedia muita gente de acreditar no dólar – os bancos não podiam abrir agências fora do país, o Federal Reserve não existia e havia pânico por medo de quebra de bancos, um acontecimento frequente. Quando finalmente o Fed apareceu, em 1913, o cenário começou a mudar e o sistema bancário ganhou estabilidade.
 
Foi Benjamin Strong, primeiro presidente do Fed, que vislumbrou para o dólar um papel como o da libra – ele sabia que as promissórias emitidas pelo banco da Inglaterra para financiar exportações tinham grande liquidez e decidiu fazer a mesma coisa. O mundo financeiro viu, então, as negociações financeiras migrando em grande volume para Nova York, e a confiança que havia na libra esterlina migrando para o dólar.
 
Os tempos mudaram e hoje há grandes dúvidas sobre o futuro dessa moeda. Eichengreen mostra que sua estabilidade não está sujeita apenas a fatores financeiros – relacionamentos estratégicos e militares, assim como a própria legislação americana, podem fazer o dólar balançar.
 
Eichengreen, que é professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, já havia estudado também a trajetória do ouro e mostrou de que forma a confiança nele (o padrão ouro) propagou a grande depressão iniciada em 1929 com a quebra da bolsa de Nova York.
 
Embora o título insinue uma derrota do dólar, não é exatamente isso que o autor acha que acontecerá. O declínio é inevitável e o mundo deixará de orbitar em torno dele e dos valores a ele atrelados. Einchengreen acha que em breve haverá um sistema multipolar de moedas, e que isso já está nascendo.
 
Um dos sinais é o aparecimento do euro. Essa moeda nasceu ao mesmo tempo que os esforços da Alemanha reunificada se concentravam mais em aliar-se aos vizinhos europeus do que apoiar os Estados Unidos. Além do euro, é de se esperar que o yuan chinês também participe dessa polarização. Assim como o dólar de um século atrás não era importante, o yuan ainda não é.
 
A China não tem feito esforços para internacionalizar sua moeda, para que os fluxos de capital não elevem seu valor e derrubem suas exportações, mas pouco a pouco isso irá acontecer. No entanto, a moeda chinesa ainda não chegou ao ponto em que o dólar estava em 1914 ao ultrapassar a libra. Naquele momento, a economia americana já havia ultrapassado a inglesa. Mas para a economia chinesa ultrapassar a americana pode ser só uma questão de tempo.
 

 

Nota Redação MÍDIA@MAIS: Sobre o mesmo assunto recomendamos a letura do artigo públicado pelo M@M em 05/03/2011 Por que o reinado do dólar está perto do fim?

 



 
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COMENTÁRIOS
22/08/2011
(amauri)

A crise de 1929 se deu justamente porque o governo americano, por meio do FED, burlou todos os princípios básicos de um padrão-ouro. Um padrão-ouro restringe a criação de crédito sem que haja poupança para sustentá-lo. O que o Fed fez foi promover a expansão do crédito sem que estivesse havendo aumento na poupança - atuando em conluio com o sistema bancário, expandiu os meios fiduciários, impedindo que os juros aumentassem em uma época de grande demanda por crédito.
 
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Redação: Paulo Zamboni
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