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As decisões de George W. Bush
- Redacao Midia@Mais
Certas experiências são tão valiosas que merecem ser, de algum modo, registradas. Muita gente importante poderia e deveria ter escrito suas memórias não só para compartilhar conhecimento como também esclarecer certos trechos da História. 

Certas experiências são tão valiosas que merecem ser, de algum modo, registradas. Muita gente importante poderia e deveria ter escrito suas memórias não só para compartilhar conhecimento como também esclarecer certos trechos da História. 

A maioria dos líderes políticos deveria escrevê-las, mas infelizmente poucos fazem isso. No Brasil, então, quase não há político que tenha escrito memórias– provavelmente porque o grau de comprometimento envolvido nos registros colocaria em risco muito mais do que o prestígio do autor. Mas não seria valioso se Romeu Tuma, por exemplo,  tivesse escrito e publicado suas memórias?

 
Não é, certamente, o caso de George W. Bush, o presidente que antecedeu Barack Obama na Casa Branca, e que acaba de lançar as suas em livro. A obra se chama Decision Points (ou "Pontos de Decisão", em português; Crown, 512 páginas). Que ninguém tenha dúvida de que o livro venderá como pão quente, ao menos agora: há muita gente com saudades dos tempos de Bush, embora não pareça. Ele pode representar conservadorismo e truculência, mas é disso que gosta grande parte dos americanos que o elegeram para dois mandatos. Bush era executor de uma política do partido Republicano e não foi o autor solitário das decisões que levaram os Estados Unidos até o ponto aonde chegaram – de  maior nação do mundo para a maior dúvida (e dívida) do mundo.
 
Um dos aspectos mais surpreendentes da obra é que ela é apresentada quase como um livro de administração – no momento, o ex-presidente vem dando entrevistas às principais emissoras de TV, como BBC e CNN, contando como o escreveu. Sua agenda inclui programas como os de Oprah Winfrey (comparecendo na companhia do pai, George Bush, e da sua mãe e ex-primeira dama, Barbara Bush), e o do humorista Jay Lenno. O livro, na verdade, faz  parte de uma campanha de Bush para restaurar o que ele perdeu (ou parte disso) durante os oito anos de governo – em especial, sua reputação.

Uma das histórias mais exemplares sobre as decisões que o ex-presidente tomou refere-se à demissão do secretário de estado Donald Rumsfeld em seu segundo mandato. Mais ou menos no meio desse período, pressionado pela opinião pública a demiti-lo, e com o prestígio já baixo e desgastado, resolveu falar do assunto durante uma entrevista coletiva nos jardins da Casa Branca, em que explicou detalhadamente por que o secretário deveria ficar. Ainda arrematou com a frase: "Sou eu quem decide e eu decido pelo que é melhor".

Claro que sete meses depois Rumsfeld estava na rua, mas Bush fez o seu papel de líder e mostrou quem mandava ali. Era mais importante mostrar poder do que utilizá-lo.
 
Não se pode dizer que seu governo foi fácil, entre outras coisas por causa dos atentados de 11 de setembro de 2001. Sua eleição no ano 2000, derrotando Al Gore, já havia sido acompanhada de problemas levados à apreciação da Justiça, sem falar na recontagem de votos na Flórida. Mas como tudo pode sempre piorar, Bush decidiu invadir o Iraque, país eleito por ele como base de todo o mal que os EUA viviam. Só esse tema ocupa nada menos do que 50 páginas do livro, mas apesar disso não há nada de novo no que Bush escreveu.
 
Cada uma das decisões virou um capítulo no livro de 512 páginas do ex-presidente, com os nomes de Afeganistão, Células Tronco, mas há outros que caberiam muito bem em livros acadêmicos, como Liderança e Equipe. Espalhadas pelo livro há frases que fazem certo sentido nesse contexto, como "Tomar decisões no momento certo é importante para impedir que a organização fique bagunçada". Ou esta: "O primeiro passo na resposta bem sucedida a qualquer crise é planejar a calma". Em muitas, o estilo Bush de falar e pensar é facilmente reconhecível.
 
O que há de mais interessante no livro são certamente as decisões das quais ele se arrependeu. Naturalmente, George W. Bush continua afirmando que estava certo quanto ao mérito delas, mas admite ter falhado na previsão das consequências. Uma dessas foi não ter ido a Louisiana logo após a passagem do furacão Katrina em 2005. Outra, foi o discurso Missão Cumprida, em 1 de maio de 2003, a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln. Nesse discurso, Bush garantia que os grandes combates no Iraque estavam encerrados e que dali em diante tudo seria fácil. 
 
Pior ainda: dois meses depois, fez uma declaração desprezando o poder e o perigo dos insurgentes no Iraque. Sua frase sobre o assunto foi do tipo de  quem desafia um bando de adolescentes para uma briga: "Pode chamar!", disse ele, diante da imprensa. Bush também confessa ter se arrependido de indicar para a Suprema Corte a advogada Harriet Miers, nome literalmente apedrejado por aliados e opositores: "Acho que ela teria feito um bom trabalho mas não pensei o suficiente sobre como sua escolha seria percebida pelos outros", diz ele.
 
A obra sai exatamente uma semana após o presidente Obama sofrer uma forte derrota nas eleições para o Senado, perdendo espaço no Congresso. No mínimo, servirá de lembrete para o fato de que o apoio da população pode evaporar de uma hora para outra . A propósito, já são vendidas em Washington camisetas com a foto de Bush e uma pergunta estampada na parte de baixo dela: "Estão com saudade de mim?".
 

 



 
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COMENTÁRIOS
18/11/2010
(Edmund Burke)

Só gostaria de mencionar dois artigos do Prof. Olavo de Carvalho. Um é sobre o furacão Katrina: http://www.olavodecarvalho.org/semana/050912dc.htm e o outro é sobre as armas de destruição em massa no Iraque: http://www.olavodecarvalho.org/semana/051107dc.htm . Obrigado.
 
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