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Uma democracia sitiada
- Paulo Zamboni
Olivro de Eduardo Pizarro Leongómez baseia-se numa coletânea de artigos e de estudos feitos pelo autor ao longo dos anos sobre a situação na Colômbia, com um enfoque acadêmico sobre o custo econômico e social do conflito em suas diversas formas, tentando entender e ordenar as variáveis envolvidas e apresentar uma saída para a violência na Colômbia, violência que o autor conhece de perto, pois foi vítima de um atentado, que o obrigou a ir morar nos EUA.

O livro de Eduardo Pizarro Leongómez baseia-se numa coletânea de artigos e de estudos feitos pelo autor ao longo dos anos sobre a situação na Colômbia, com um enfoque acadêmico sobre o custo econômico e social do conflito em suas diversas formas, tentando entender e ordenar as variáveis envolvidas e apresentar uma saída para a violência na Colômbia, violência que o autor conhece de perto, pois foi vítima de um atentado, que o obrigou a ir morar nos EUA.

Analisando detalhadamente o quadro colombiano à luz de guerras e guerrilhas ocorridas ao longo do século XX e meados deste século – como a guerra civil de El Salvador - Leongómez busca provar que a Colômbia, ao contrário do que muitos imaginam, não vive uma guerra civil e nem esteve a um passo da desintegração, daí ser errado usar a expressão “colombianização” como sinônimo de desagregação territorial e estatal.
 
É interessante abordagem sobre as origens das várias guerrilhas colombianas e os grupos paramilitares, a forma como procura entendê-los à luz de seus discursos oficiais e depois analisando-os a partir de suas atividades reais, levando-o a concluir que existe entre todas as forças beligerantes não-estatais uma crescente tendência a se tornarem leais a “senhores da guerra”, bandidos cuja violência se torna um fim em si mesmo e que perderam o vínculo concreto com o discurso justificador de suas atividades.
 
Apesar disso, o autor estabelece uma distinção entre terrorismo e as guerrilhas que operam na Colômbia, explicando que é errado nivelá-las a grupos terroristas ou meros traficantes de drogas. Entretanto, ele reconhece que os métodos das guerrilhas e grupos paramilitares colombianos estão cada vez mais degenerados, contribuindo para que possam ser considerados meros bandos terroristas. Também é feita uma análise dos cartéis das drogas, que assolaram a Colômbia até meados da década de 1990.
 
O papel dos EUA no conflito colombiano é revelado pelo detalhamento de recursos financeiros colocados à disposição de Bogotá através do chamado Plano Colômbia, iniciado durante a administração Clinton, e como o início da guerra ao terror, na administração Bush, logo após os atentados de 11 de Setembro de 2001, influenciou a cooperação entre os dois países.
 
Embora analise apenas o começo do governo do presidente Álvaro Uribe, e tenha ligações com instituições que se pautam por simpatias para com as esquerdas latino-americanas – foi professor em Princenton e expôs seu trabalho para o Diálogo Interamericano – o autor é simpático ao trabalho de Uribe na luta contra os grupos armados para restabelecer o império da lei no país. Aliás, uma das teses defendidas no livro é que o problema colombiano é em parte resultado da falta de presença estatal na estruturação social, abrindo espaço para o surgimento de chefes político-militares, guerrilhas e mílicias.
 
O fio condutor do pensamento de Leongómez parece baseado no velho principio da Contenção, que guiou o establishment americano durante a Guerra Fria, segundo o qual ao invés de se tentar derrotar totalmente o inimigo, ele deve ser detido e obrigado a aderir a uma ordem estabelecida – exatamente o que tem acontecido na política latino-americana desde o final da década de 1980, como demonstrado por El Salvador, país várias vezes citado pelo autor, e pela Nicarágua, onde forças de extrema esquerda responsáveis por guerrilhas particularmente violentas ou governos socialistas autoritários foram cooptados para participar de um jogo político mais aceitável para as elites internacionais - supostamente criando uma estabilidade que favorece negócios e o desenvolvimento, mesmo que seja a custa do surgimento de uma democracia meramente de fachada. Assim, a participação no processo eleitoral aparentemente é a senha para que os antigos grupos esquerdistas radicais passem não só a ser tolerados mas também apoiados, como demonstrado pela recente crise em Honduras.
 
Enfocando a situação até aproxidamente 2005, motivo pelo qual não trata de acontecimentos mais recentes como a interferência venezuelana no conflito, mesmo assim o livro de Eduardo Leongómez é muito interessante para os leitores que desejam detalhes da situação colombiana - como taxa de mortalidade populacional e refugiados, estruturação do Estado colombiano para fazer frente às diversas formas de desafios provocados pelas forças guerrilheiras e paramilitares, os efetivos das forças em conflito, suas fontes de financiamento e uma eventual escalada militar da guerrilha através da aquisição de armas mais sofisticadas, possibilidade que parece cada vez maior como demonstra a captura pelo exército colombiano de moderno armamento sueco em mãos da FARC, obtidos via Venezuela.
 
O prefácio da Edição brasileira foi escrito pelo professor da UFJF Ricardo Vélez Rodrigues, colombiano residente no Brasil, que traça um preocupante paralelo entre muitos aspectos do quadro colombiano e a realidade dos grandes centros brasileiros afligidos pela criminalidade.


 
UMA DEMOCRACIA SITIADA - Balanço e Perspectivas do Conflito Armado na Colômbia

 
Editora Biblioteca do Exército Editora 2006. 263 páginas
 



 
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COMENTÁRIOS
14/08/2009
(Halley)

Me desculpem, mas anistiar assassinos, sequestradores e narcotraficantes é um absurdo. A medida que essas pessoas escolheram o caminho do crime, foram eles que dispensaram "a solução negociada"!!!!!! Cadeia para bandido e fora com o "politicamente correto"!!!!!! Daqui à pouco as Farc viram um partido político e o Mal triunfou. E isso é pecado contra o Espírito Santo! Meu contato não foi muito gentil, heim, Zamboni? Prezado Halley Obrigado pelo contato. Na verdade eu não faço juízo de valor sobre a idéia de anistia - eu também acho que é um pecado se isso acontecer, hehehe - apenas comento que pelo que o autor relata isso pode muito bem vir a fazer parte de um processo de paz negociado na Colômbia, inclusive seguindo os passos de El Salvador, exemplo muito citado ao longo do livro, onde a luta chegou a um impasse e um acordo negociado foi considerado a melhor saída. Entretanto, pelo que temos visto na Colômbia, acho que as chances do governo colombiano derrotar decisivamente as Farc são muito grandes, embora uma interferência maciça do governo venezuelano, com envio de armas modernas e fornecendo santuários para os guerrilheiros, possa provocar uma reviravolta na situação. No mais, um abraço e continue prestigiando o MÍDIA@MAIS Paulo Zamboni
 
01/08/2009
(Rubens)

Deixa ver se eu entendi. O autor apóia que grupos de guerrilha e narcotráfico, como as farc, venha a participar do processo político legal. Sendo assim todo mundo vai viver feliz e contente, pois as farc vindo a ser um partido político não mais haverá sequestro, assassinatos, torturas, estupros, pedofilia e certamente não haverá mais produção e comércio de cocaína. Prezado Rubens: Obrigado pelo seu gentil contato. Eu gostaria que você lesse o livro e tirasse suas próprias conclusões, mas posso dizer que o autor afirma o tempo todo ao longo do livro que é necessário deixar uma porta aberta para um solução negociada do conflito colombiano, o que incluiria, eu presumo, uma anistia ou pelo menos algum tipo de indulgência para com as forças guerrilheiras envolvidas no conflito colombiano. De qualquer forma, acho que o amigo deveria ler o livro, porque ele é muito interessante e recheado de informações sobre a situação colombiana. No mais, espero que você continue lendo o MÍDIA@MAIS e dando suas opiniões, ok? Um abraço e obrigado, Paulo Zamboni
 
01/08/2009
(Rodrigo)

Paulo, porque você saiu do Mídia Sem Máscara? Divergência de opiniões? Porque me desculpe, mas é inevitável não ver este Mídia@Mais como um racha entre os conservadores no Brasil! Grato pela atenção e fique com DEUS! Olá Rodrigo Obrigado pelo seu contato, amigo. Eu deixei o Mídia Sem Máscara por motivos pessoais e profissionais, que nada tinham a ver com divergência de opiniões, ou algo do tipo. Você está enganado, meu amigo, o MÍDIA@MAIS não é racha ou nada do tipo, até porque racha pressupõe uma unanimidade obrigatória, típica de totalitarismos. Pensar com independência não enfraquece nada nem a ninguém, ao contrário.  Espero que o amigo continue lendo o MÍDIA@MAIS  e enviando suas mensagens, ok? Um grande abraço, Paulo Zamboni
 
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