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O mundo supera a pobreza em massa
- Guy Sorman
Os acontecimentos mais significativos frequentemente escapam da atenção da mídia. Quantos saberiam, através da leitura de seu jornal diário ou assistindo televisão, que vivemos em um período econômico sem precedentes, quando o número de pessoas que vivem em extrema pobreza está em declínio rápido?

Os acontecimentos mais significativos frequentemente escapam da atenção da mídia. Quantos saberiam, através da leitura de seu jornal diário ou assistindo televisão, que vivemos em um período econômico sem precedentes, quando o número de pessoas que vivem em extrema pobreza está em declínio rápido?

De acordo com um relatório do Banco Mundial recém publicado, a percentagem de pessoas que vivem com menos de US$1,25 por dia — ou seu equivalente local — caiu de 52% da população mundial em 1981 para 22% em 2008.

 
O Banco Mundial não fornece os dados mais recentes, mas outros índices mostram que a crise financeira de 2008 não interrompe esta tendência. Para milhões de famílias, ultrapassando o limite de US$1,25 simbólico significa deixar a miséria para trás e se mover em direção a uma vida mais digna — nenhuma realização trivial. Além disso, esta fuga da pobreza acontece enquanto a população mundial continua a crescer. Profecias do Apocalipse que advertiram sobre a contagem regressiva de uma “bomba populacional” não têm sido manifestadas, para dizer o mínimo. Messias do aquecimento global, fiquem atentos: engenho humano se revela capaz de lidar com as dificuldades da mãe natureza.
 
30 anos, metade do planeta vivia na miséria absoluta, e muitos comentaristas argumentavam que a pobreza era o destino. Na melhor das hipóteses, a maioria dos analistas admitia que bolsões de pobreza poderiam ser atenuados através de ajuda internacional. Apenas um punhado de economistas se opuseram: Theodor Schultz, Milton Friedman e Peter Bauer foram os principais defensores de políticas de livre mercado para todas as nações como o caminho para sair da pobreza. Suas teorias têm se comprovado. A economia da China tem crescido desde meados da década de 80 — quando Deng Xiaoping, o líder de fato, abandonou o planejamento central, abriu as fronteiras para o investimento estrangeiro e promoveu o espírito empreendedor em casa.
 
Em 1991, depois que o modelo econômico soviético faliu, a Índia deixou para trás sua ideologia socialista, abriu as suas fronteiras à concorrência estrangeira e desregulamentou sua economia. As economias dos dois países mais populosos da Terra têm crescido sem interrupção desde então. Lembre-se, também, que a Coreia do Sul e Taiwan entenderam as virtudes do livre mercado muito antes de China ou Índia descobrirem. Muitos países menores, através de uma enorme variedade de culturas, logo os seguiram. Os governos africanos, também, converteram-se em economias de livre mercado com resultados significativos — Quênia, Uganda, Senegal e Serra Leoa, entre outros. O Fundo Monetário Internacional, embora inútil como credor, revelou-se benéfico na África ao persuadir os líderes locais para criar bancos centrais independentes, que agora gerenciam moedas fiáveis e estáveis. Os bancos centrais, entre outras instituições de livre mercado, incentivaram o crescimento econômico na África, outrora devastada pela hiperinflação. A reconversão para a estabilidade monetária também desempenhou um papel decisivo em reavivar a economia do Brasil, que tinha sido parada na década de 1970 por loucuras monetárias.
 
O crescimento global dessa forma não é um milagre, mas sim resultado de políticas econômicas sólidas. Isso confirma o que os economistas do livre mercado têm escrito desde 1776, quando Adam Smith publicou sua Riqueza das Nações: políticas econômicas com base no empreendedorismo, a abertura das fronteiras e a concorrência, revelaram-se bem sucedidas. O socialismo, promovido ao longo do século XX como uma forma de diminuir o fosso entre países pobres e ricos, falhou em todos os lugares. O debate terminou, ou deveria terminar. A ajuda humanitária tem conseguido aliviar a miséria em condições específicas, mas ela não é nenhum substituto para uma política econômica sólida.
 
Apesar deste marco indiscutível, economistas proeminentes, intelectuais públicos e colunistas continuam a negar a realidade e várias alternativas. O icônico professor da Universidade de Columbia, Jeffrey Sachs, que tinha sido candidato para presidir o Banco Mundial, ainda argumenta que a ajuda internacional maciça tirará a África da pobreza. Com o apoio da consciência atormentada de doadores ocidentais, ele financia aldeias Potemkin, principalmente no Malawi, para onde estrelas de cinema voam para oportunidades de tirarem foto. Em um livro recém publicado e bem recebido chamado Falha das Nações, dois professores da Universidade de Harvard, Daron Acemoglu e James Robinson, argumentam que a igualdade é a base para o desenvolvimento econômico. Através de um conjunto atraente de vinhetas históricas, os autores sugerem que países mais igualitários crescem mais rapidamente do que países elitistas. É verdade: o que eles chamam de instituições inclusivas — estado de direito, os direitos de propriedade, justiça confiável como encontrado nos países mais democráticos — são muito mais produtivas do que instituições extrativas em regimes despóticos, que exploram os recursos locais e pessoas em benefício da elite. Esta é a sabedoria comum. Mas Acemoglu e Robinson saltam para uma conclusão puramente ideológica: que a igualdade social é uma condição prévia para um crescimento sustentado. De fato, o oposto é verdadeiro. A igualdade é o resultado do crescimento econômico. Alguns acadêmicos de Harvard claramente não estão prontos para reconciliar-se com a realidade observada quando ela não se adequa à sua agenda.
 
Um fator importante que parece escapar à maioria dos comentaristas e cientistas sociais — e aos funcionários do Banco Mundial — é o papel decisivo que a economia dos Estados Unidos desempenha na redução da pobreza global. Departamentos de economia em universidades americanas são — com algumas exceções nas costas — o berço da economia de livre mercado.
 
Em todos os países em desenvolvimento, os economistas responsáveis foram educados nos Estados Unidos ou trabalharam lá. Nitidamente este é o caso na maioria das economias emergentes da África, Índia e China. Instituições de livre mercado ao redor do mundo têm sido modeladas sobre instituições dos EUA, começando com os bancos centrais. Inovações técnicas e gerenciais nestes países emergentes foram importadas (às vezes contrabandeadas) dos EUA. Finalmente, o consumidor americano é o motor de crescimento por trás da China, da Índia ou da história de sucesso das Filipinas. Feche o Walmart e a China perde sustentação. Ele quase o fez em 2008, no início da bolha imobiliária americana.

O déficit comercial dos EUA tem sido uma dádiva de Deus para o resto do mundo desde 1945. Ele não fez a América mais pobre e não vai prejudicar os americanos, pois os benefícios que os países emergentes geram dele são reciclados em dólares. Considere esta pérola do relatório do Banco Mundial: remessas de trabalhadores mexicanos nos Estados Unidos para suas famílias de volta para casa aumentaram para US$22 bilhões em 2010 — uma fonte importante de combate à pobreza no México e um benefício orgulhosamente produzido nos Estados Unidos.

Tradução: Maria Júlia Ferraz

Disponível no site do autor

 



 
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COMENTÁRIOS
22/04/2012
(Hugo Siqueira)

Tornar-se igual exige esforço competitivo para desenvolver idéias inovadoras. Entretanto, a cooperação atual e passada é um desmentido à convicção de que só a confrontação egoísta e voraz motiva os países para a produtividade. Tornando-se especialista, tudo aquilo de que um país necessita encontrará no mercado, vendendo o seu produto, especial e único, o qual será o complemento de outros. O mercado é neutro: não impõe condições. A ida ao mercado é uma decisão interna de cada um.
 
22/04/2012
(Hugo Siqueira)

A extrema especialização tornará cada país tão singular e único que em vez da competição haverá cooperação. Até o partido comunista chinês já percebeu que “querer ficar rico é bom”. Estes são os que carregam o mundo nas costas: No fim todos vamos ficar iguais e igualmente pobres. É fácil observar, nas aposentarias de contribuintes que pagaram compulsoriamente sobre 20 salários e chegam ao final da vida com o mesmo de todos: o velho e bom
 
19/04/2012
(Hugo Siqueira)

A igualdade é um fim a ser atingido e não um meio de chegar lá. Quando este estágio for atingido não existirá nenhuma força propulsora para ficar mais do que igual. É a planície fria e desoladora, sem mais nenhuma sinergia para ser trocada. Darwin previu isso.
 
19/04/2012
(Hugo Siqueira)

Você já se deparou com o espetáculo de um bando de comunistas empurrando um caminhão para fazer pegar no tranco? – Só o dono faz força realmente. Outros – mais espertos – apenas fingem.
 
19/04/2012
(Hugo Siqueira)

Guy Sorman cada vez mais surpreende pela simplicidade, clareza e concisão.
 
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