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Lista malthusiana de desafios ambientais do PNUMA ignora reais emergências ambientais

Redacao Midia@Mais
Na campanha obstinada por converter a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) em um novo marco político de alcance global para a sustentação de uma agenda cada vez mais questionada, o aparato ambientalista internacional divulgou mais um manifesto. O documento, intitulado Foresight Report (Relatório de prognósticos), foi apresentado em 24 de fevereiro e integra uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), entidade que o aparato ambientalista pretende converter em uma agência ambiental mundial.

Na campanha obstinada por converter a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) em um novo marco político de alcance global para a sustentação de uma agenda cada vez mais questionada, o aparato ambientalista internacional divulgou mais um manifesto. O documento, intitulado Foresight Report (Relatório de prognósticos), foi apresentado em 24 de fevereiro e integra uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), entidade que o aparato ambientalista pretende converter em uma agência ambiental mundial.

O relatório, elaborado após uma consulta eletrônica respondida por 438 cientistas de todo o mundo, aponta os que seriam os 21 maiores desafios ambientais do século XXI. A lista demonstra, mais uma vez, os questionáveis critérios que têm orientado a percepção e as discussões referentes aos grandes problemas enfrentados pela Humanidade, colocando os temas ambientais no topo da escala e reforçando a descabida percepção geral da iminência de uma crise ambiental de proporções apocalípticas. Com itens que incluem os riscos da escassez de minerais estratégicos (14º.), a desativação de reatores nucleares (17º.), a retração de glaciares (21º.) e outros, salta aos olhos, por exemplo, a ausência de qualquer menção explícita ao maior problema ambiental do planeta: as consequências da insuficiência de infraestrutura de fornecimento de água e saneamento básico, que afeta mais de metade da população mundial.

O item #15, referente à “degradação de águas interiores em países em desenvolvimento”, apenas comenta, genericamente:

    A degradação da qualidade da água, as modificações dos canais [de leitos de rios] e a pesca excessiva são alguns dos fatores que representam uma ameaça crescente aos ecossistemas de água doce e aos estoques pesqueiros dos países em desenvolvimento. Mas, na medida em que os países em desenvolvimento se encontram à beira de uma degradação em larga escala das suas águas interiores, eles têm a opção de reduzir esta degradação, fazendo uso de tecnologias e técnicas de gerenciamento hídrico que não estavam disponíveis aos países da Europa e da América do Norte, na época em que começaram a contaminar as suas vias aquáticas.

Ora, as “tecnologias e técnicas de gerenciamento hídrico” empregadas pelos países avançados, desde o século XIX, foram e têm sido, principalmente, o saneamento básico, o controle progressivo dos efluentes industriais, a melhor disposição do lixo urbano e o planejamento integrado da utilização dos recursos hídricos – neste caso, seguindo o modelo da Autarquia do Vale do Tennessee (TVA) estadunidense. Ou seja, “inovações” que, em grande medida, ainda passam ao largo das agendas políticas dos países em desenvolvimento, como as prioridades que deveriam ser.

Em vez disso, o primeiro tópico da lista é “alinhar a governança aos desafios da sustentabilidade global”. Outra vez, o texto explicita a intenção de concretização da velha aspiração do aparato ambientalista, a criação de um órgão ambiental mundial dotado de atribuições e poderes vinculantes para todos os países. O resumo executivo do relatório afirma:

    O atual sistema de governança ambiental internacional, com o seu labirinto de acordos multilaterais interconectados, evoluiu durante o século XX e muitos acreditam que ele é inadequado para o século XXI. Alguns comentaristas acreditam que este sistema carece das necessárias representatividade, atribuição de responsabilidades e efetividade, para a transição para a sustentabilidade, e que um nível de participação e transparência muito mais elevado se faz necessário. Novos modelos de governança estão sendo testados, abarcando desde parcerias público-privadas-comunitárias a alianças entre ambientalistas e outros grupos da sociedade civil. (…)

O segundo lugar da lista é descrito como a “transformação das capacidades humanas para o século XXI”. Entre elas, destaca-se a falta de profissionais capacitados para as atividades referentes ao desenvolvimento sustentável. Um exemplo citado pelo coordenador do relatório, o cientista-chefe do PNUMA, Joseph Alcamo, é a escassez de engenheiros capacitados a projetar geradores solares nos EUA, além da inexistência de técnicos especialistas no manejo do “lixo atômico” resultante da desativação de usinas nucleares (Valor Econômico, 24/02/2012).

Outra ausência notável na listagem dos “desafios” é qualquer menção à disfuncionalidade do sistema financeiro internacional em sua presente forma, cujas distorções deletérias para a economia física das sociedades de todo o planeta constituem, de longe, o maior fator de “insustentabilidade” para a Humanidade em conjunto, com todas as suas implicações socioeconômicas, políticas e civilizatórias. Como um número crescente de comentaristas tem observado, simplesmente, não há como se separar a resolução dos problemas ambientais de âmbito local e regional, que afetam cada país e região, de uma reconfiguração global do sistema financeiro, recolocando-o ao serviço da economia real e abrindo caminho para a elevação geral dos níveis de vida da população mundial, perspectiva da qual as questões ambientais não podem ser desvinculadas. Mas seria ilusório esperar que os ecotecnocratas do PNUMA e cientistas impregnados do discurso catastrofista do ambientalismo tivessem tal percepção.

Quem é o Dr. Joseph Alcamo

Para quem tem acompanhado as ações do aparato ambientalista internacional, nas últimas décadas, o relatório do PNUMA não constitui qualquer surpresa. De fato, desde a sua criação, em 1973, o órgão tem atuado como ponta de lança institucional da agenda alarmista e antidesenvolvimentista do ambientalismo internacional. Não por acaso, seu cientista-chefe, o Dr. Joseph Alcamo, é um protegido do fundador e primeiro diretor-executivo do órgão, o magnata canadense Maurice Strong, que foi secretário-geral das duas primeiras grandes conferências ambientais das Nações Unidas, as de Estocolmo (1972) e do Rio de Janeiro (1992), das quais a Rio+20 representa uma continuidade. Desde 2006, Strong encontra-se “autoexilado” em Pequim, onde foi residir, para se esquivar dos desdobramentos de um escândalo de corrupção em torno do esquema de trocas de petróleo por alimentos para o Iraque, supervisionado pela ONU, na qual era assessor especial do então secretário-geral Kofi Annan.

De nacionalidade estadunidense, Alcamo é o típico tecnocrata supranacional “globalizado”, tendo residido em sete países e ocupado postos de destaque em várias instituições chave do aparato ambientalista. Detentor de um doutorado em Engenharia Civil e Ambiental pela Universidade da Califórnia (Davis), é especialista no desenvolvimento e aplicação de modelos ambientais e climáticos globais, capacidade desenvolvida em uma década de trabalho no Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicada (IIASA), de Laxemberg, Áustria, entidade cuja importância para a implementação do ambientalismo é inversamente proporcional ao seu conhecimento pelo público em geral.

Entre as principais contribuições de Alcamo, destacam-se uma ativa participação no processo que levou à criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), no final da década de 1980, além do estabelecimento do Protocolo de Kyoto, em 1997. Nos dois últimos relatórios do IPCC, atuou como um dos autores principais.

O grau de comprometimento do Dr. Alcamo com a agenda alarmista sobre as mudanças climáticas pode ser constatado por um revelador e-mail enviado a alguns de seus colegas no IPCC, no período imediatamente anterior à rodada final de negociações do Protocolo de Kyoto, o qual veio à tona junto por ocasião da divulgação dos arquivos da Unidade de Pesquisas Climáticas da Universidade de East Anglia, no final de 2009, no que ficou conhecido como o “escândalo Climagate”. Na mensagem, datada de 9 de outubro de 1997, referente à divulgação de um manifesto de cientistas apoiadores do tratado, o Dr. Alcamo explicita os seus valores éticos e as articulações internas do aparato ambientalista:

   Parece que vocês têm andado ocupados fazendo boas coisas pela causa. Eu gostaria de colocar duas questões importantes:

    Distribuição para endossos

    Eu sou enfaticamente a favor de uma distribuição tão ampla e rápida quanto possível para os endossos. Eu acho que a única coisa que conta são os números. A mídia vai dizer “1000 cientistas assinaram” ou “1500 assinaram”. Ninguém vai checar se são 600 com PhDs contra 2000 sem. Eles mencionarão os proeminentes, mas isto é outra história.

    Conclusão: Esqueçam a triagem, esqueçam perguntar-lhes sobre as suas últimas publicações (a maioria irá ignorá-los). Consigam esses nomes!

    Timing

    (…) 2. Se o Manifesto sair apenas alguns dias antes de Kyoto, eu receio que os delegados que queremos influenciar não terão tempo de prestar atenção a ele. Nós deveríamos dar a eles algumas semanas para ouvir a respeito dele.

    3. Se o Greenpeace tiver um evento uma semana antes, nós deveríamos fazer o nosso uma semana antes deles, de modo que eles e outras ONGs possam espalhar ainda mais a palavra sobre o Manifesto. Por outro lado, não seria tão ruim divulgar o Manifesto na mesma semana, mas num dia diferente. A mídia poderá apreciar ouvir a mensagem de duas direções bem diferentes.


Apesar de curto, o e-mail do Dr. Alcamo representa uma das mais explícitas evidências das intenções e métodos distorcidos dos altos círculos do aparato ambientalista global. O fato de que indivíduos como ele e iniciativas como a que representa sejam levados a sério, tanto por tomadores de decisões como pela opinião pública em geral, denota a urgência de se redobrarem os esforços, tanto para se desqualificar o alarmismo engajado, como para se reorientarem as discussões ambientais para o contexto das necessidades reais de desenvolvimento de toda a população mundial.

Publicado por Alerta em Rede

 



 
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COMENTÁRIOS
17/07/2012
(Hugo Siqueira)

Defensores do clima usam desse credo para esconder os problemas de saneamento e fornecimento de água que são os verdadeiros problemas ambientaís das grandes cidades. São elas que criam demandas de poluição pela enorme quaqntidade de serviços inúteis requeridos.
 
03/05/2012
(Helton)

Questionar a conduta do Dr. Alcamo é bem fácil, tem muita coisa em aberto sobre ele. Agora, vocês questionarem o resultado de uma pesquisa com mais de 400 cientistas do mundo inteiro, alegando "questionáveis critérios que têm orientado a percepção e as discussões referentes aos grandes problemas enfrentados pela Humanidade", isso já é demais. Quem vocês pensam que são pra dizer que a ciência está indo para o caminho errado ou certo? Nenhum cientista vem aqui dizer que a política está indo para um caminho ou outro, que tal respeitar os 438 indivíduos que provavelmente dedicaram a vida inteira à profissão? Prezado: usando sua lógica poderiamos perguntar quem você pensa que é para questionar assuntos sobre os quais vc nada conhece, mas vamos apenas sugerir que releia o texto em questão e tente entender que há mais envolvido no assunto do que mero posicionamento cientifico, que aliás não é monolítico. Atenciosamente, Redação MÍDIA@MAIS
 
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